A votação de Marcos Eron (PV), ex-prefeito de Monte Horebe, em São José de Piranhas, acrescentou um novo elemento às especulações sobre a disputa municipal de 2028. Os 1.446 votos recebidos no município vizinho demonstram que seu nome obteve respaldo eleitoral fora de sua principal base política, mas ainda não permitem dimensionar, isoladamente, sua capacidade de disputar a Prefeitura.
O desempenho ganha relevância porque Marcos Eron já vinha sendo mencionado como possível alternativa na sucessão piranhense. Sua experiência administrativa em Monte Horebe e a votação registrada em São José de Piranhas podem favorecer novas conversas políticas. Isso, porém, não equivale a uma candidatura consolidada nem comprova a existência de uma aliança definida.
O resultado chama a atenção, mas transformar votação em eleição municipal é uma conta que a política costuma fazer cedo demais.
A comparação com Nil Mendes, candidata apoiada pelo prefeito Bal Lins e pelo deputado estadual Chico Mendes, ajuda a colocar os números em perspectiva. Nil obteve 6.560 votos em São José de Piranhas, enquanto Marcos Eron alcançou 1.446, o equivalente a aproximadamente 22% dessa votação.
A proporção é expressiva como referência numérica, mas exige cautela na interpretação. Votos conquistados em uma eleição não se transferem automaticamente para outra. A disputa municipal envolve candidatos, alianças, estruturas partidárias, avaliação da gestão e interesses locais diferentes daqueles presentes em uma eleição estadual.
No campo governista, as movimentações também começaram a aparecer. Segundo as informações disponíveis, Chico Mendes apresentou o vice-prefeito Ramon Brasil como uma alternativa para representar o grupo na disputa de 2028. Ao mesmo tempo, circulam especulações sobre uma eventual candidatura do próprio deputado à Prefeitura, hipótese que ainda depende de confirmação.
A existência de mais de um nome no debate não significa necessariamente divisão interna. Pode representar uma estratégia de preparação para a sucessão, mas também abre espaço para disputas de preferência dentro do próprio agrupamento. A evolução desse cenário dependerá dos posicionamentos públicos, das alianças e da capacidade de cada alternativa de reunir apoio político.
Marcos Eron, por sua vez, precisará demonstrar que sua votação tem potencial de se transformar em articulação permanente. Para isso, será importante observar se o ex-prefeito amplia o diálogo com lideranças locais, estabelece uma base política consistente e apresenta sinais concretos de interesse na disputa.
Também começam a surgir referências a uma possível aproximação com setores da oposição ligados a Jatobá. Até o momento, contudo, não há elementos suficientes para tratar essa movimentação como aliança formal ou decisão eleitoral definida.
O cenário ainda está em formação. A votação de Marcos Eron o coloca entre os nomes que merecem atenção no debate sobre 2028, mas a disputa está longe de ser resolvida por uma comparação de números.
Em São José de Piranhas, o desafio não será apenas aparecer no placar eleitoral, mas transformar presença nas urnas em força política capaz de sustentar um projeto municipal.

FONTE/CRÉDITOS: WGLEYSSON DE SOUZA – Jornalista. REG. PROF. FENAJ 4407/PB | API/PB 3072