Um novo alerta do Unicef revela que a chegada do fenômeno El Niño pode agravar severamente os riscos climáticos para mais de 30 milhões de crianças e adolescentes no Brasil. O relatório, divulgado em setembro, adverte que seis em cada dez jovens brasileiros já vivem expostos a múltiplas ameaças ambientais, demandando ações imediatas de preparação governamental.

Dentre os jovens afetados, cerca de 16 milhões convivem com três ou mais ameaças simultâneas. O histórico recente do país ilustra a gravidade do cenário: em 2024, as enchentes no Rio Grande do Sul e a seca histórica na Amazônia interromperam as aulas de mais de 1,1 milhão de estudantes, evidenciando a fragilidade da infraestrutura pública.

O El Niño é um evento natural que aquece as águas do Oceano Pacífico equatorial, alterando os padrões de chuva e temperatura globalmente. Contudo, as mudanças climáticas intensificadas pela ação humana têm tornado cada ciclo, que ocorre a cada dois ou sete anos, consideravelmente mais severo e destrutivo.

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Previsões alarmantes e impactos na infância

Órgãos oficiais estimam mais de 90% de probabilidade de o El Niño atingir intensidade muito forte no final do ano. A previsão aponta para estiagem severa no Norte e Nordeste, chuvas excessivas no Sul e calor extremo em quase todo o território nacional, criando condições propícias para queimadas severas.

Segundo Danilo Moura, especialista em Clima e Meio Ambiente do Unicef no Brasil, o foco deve ir além dos dados meteorológicos. O especialista destaca que secas extremas e inundações comprometem diretamente direitos básicos, privando os jovens de água potável, vacinação, transporte seguro e alimentação adequada.

Crianças sofrem de forma desproporcional por estarem em fase de desenvolvimento físico, sendo mais suscetíveis à desidratação, fumaça e desnutrição. Diante disso, o órgão internacional defende que o Brasil estruture uma rede de proteção social e de saúde resiliente, capaz de antecipar os impactos antes que as emergências se consolidem.

Ações necessárias em setores essenciais

Para mitigar os danos, o Unicef recomenda medidas urgentes em cinco frentes. Na saúde, é vital fortalecer a vigilância epidemiológica contra a dengue e garantir vacinas. Na alimentação, deve-se monitorar a desnutrição infantil. Em saneamento, planos de contingência devem proteger os mananciais de água.

Por fim, na educação, as escolas precisam de planos para manter o aprendizado remoto em crises. Na proteção social, o cadastro de famílias vulneráveis deve ser atualizado previamente. Agir de forma preventiva reduz custos e, fundamentalmente, evita que desastres climáticos se transformem em tragédias humanitárias para a infância brasileira.

FONTE/CRÉDITOS: WGLEYSSON DE SOUZA – Jornalista REG. PROF. FENAJ - 4407/PB | API/PB 3072