O Ministério da Fazenda analisa estender o subsídio de R$ 0,44 por litro aplicado sobre a gasolina no Brasil, diante da recente valorização do petróleo no mercado internacional provocada por novos conflitos no Oriente Médio. A informação foi confirmada pelo órgão estatal nesta quinta-feira (23).

A ajuda financeira para o combustível, em vigor desde 25 de maio e válida por dois meses, aproxima-se do vencimento. A equipe econômica informou que ainda não formalizou uma decisão final referente à renovação, ao prazo de vigência ou a eventuais ajustes no montante concedido.

Em contrapartida, a subvenção voltada ao diesel, fixada em R$ 1,12 por litro, permanece ativa. O Congresso Nacional estendeu por mais 60 dias a eficácia da Medida Provisória 1.363, instrumento que viabilizou o benefício.

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Entenda o funcionamento da subvenção

A subvenção econômica representa um aporte financeiro direto pago pela União aos importadores e refinadores de combustíveis. O objetivo principal é atenuar os repasses de oscilações externas aos preços cobrados do consumidor final.

Na prática, o Tesouro Nacional absorve uma parcela do custo operacional, impedindo que os aumentos globais cheguem com força total aos postos de revenda.

A distribuição dos recursos é operacionalizada diretamente aos agentes do setor sob supervisão da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

Fatores que motivam a prorrogação

A principal força motriz dessa reavaliação governamental é o repique nas cotações globais da commodity energética.

Após um recuo observado em junho, o barril do tipo Brent voltou a superar o patamar de US$ 100 nesta semana, impulsionado pela intensificação dos confrontos no Oriente Médio.

Diante dessa volatilidade, o Ministério da Fazenda decidiu reexaminar o encerramento do incentivo.

Em nota oficial enviada à Agência Brasil, a pasta explicou que estuda mecanismos legais para viabilizar a extensão da medida, salientando que a definição sobre vigência e valores permanece em análise técnica.

Impacto das tensões geopolíticas

Anteriormente, o Poder Executivo planejava encerrar o auxílio sobre a gasolina neste mês, impulsionado por expectativas de trégua entre Estados Unidos e Irã firmadas temporariamente em junho.

O alívio nas cotações, contudo, provou ser passageiro.

No início de julho, a liderança norte-americana declarou o encerramento prévio das conversas com o governo iraniano, desencadeando nova onda de incertezas no mercado petrolífero.

Adicionalmente, episódios de ataques contra embarcações no Mar Vermelho comprometeram rotas marítimas estratégicas, alimentando apreensões sobre o suprimento global de óleo bruto.

Efeitos sobre o cenário nacional

Sendo o barril a matéria-prima essencial para a produção de derivados como gasolina, diesel e querosene de aviação, variações internacionais afetam diretamente a economia brasileira.

O encarecimento da commodity encarece o transporte de passageiros e fretes, exercendo pressão sobre os índices oficiais de inflação.

As subvenções governamentais foram desenhadas especificamente para servir como amortecedor dessa dinâmica inflacionária.

Logo após a implementação da medida para a gasolina, a Petrobras reajustou o valor do combustível A em R$ 0,48 por litro nas distribuidoras; contudo, graças ao repasse governamental, o aumento efetivo nas bombas ficou em aproximadamente R$ 0,04 por litro.

Cenário para o diesel

Enquanto a definição sobre a gasolina aguarda posição da Fazenda, a garantia de subsídio ao diesel segue assegurada.

A medida provisória correspondente ao valor de R$ 1,12 por litro teve prazo dilatado por mais dois meses. Pelas regras vigentes, ao término de cada bimestre, a pasta pode ajustar, prorrogar ou retirar o benefício mediante comunicação prévia de 15 dias.

Vale lembrar que um auxílio complementar de R$ 0,35 ao diesel foi descontinuado em 1º de julho, momento em que o petróleo era negociado na casa dos US$ 70.

Medidas complementares do governo

Paralelamente ao alívio tarifário, a administração federal implementou ações estruturais adicionais no setor de energia.

Na última semana, o Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) elevou o percentual obrigatório de etanol anidro na gasolina para 32%, com vigência inicial estipulada em 180 dias.

Com essa substituição parcial, a meta do governo é reduzir a dependência de combustíveis fósseis importados e suavizar a trajetória de preços aos consumidores.

FONTE/CRÉDITOS: WGLEYSSON DE SOUZA – Jornalista REG. PROF. FENAJ - 4407/PB | API/PB 3072