Nesta sexta-feira (31), a 2ª Vara Regional das Garantias da Paraíba decretou a prisão preventiva de um delegado e de dois agentes da Polícia Civil suspeitos de liderar um esquema de desvio de drogas desarticulado pela Operação Perfidus. A decisão da juíza Conceição de Lourdes Marsicano de Brito Cordeiro acatou a denúncia do Ministério Público e também atingiu outros quatro investigados por envolvimento com o grupo criminoso no estado.

A medida judicial converteu as custódias temporárias do delegado Braz Morroni e dos investigadores Everton Rychelyson da Silva Aires, vulgo "Bomba", e Eduardo Jorge Ferreira do Egito, conhecido como "Mão Branca". Além dos agentes públicos, a ordem abrange João Wicttor Alves de Lima, Brendo Roberth Fernandes Sobral, Paulo Ricardo Barbosa de Souza ("Galinha") e José Alexandrino de Lira Júnior ("Júnior Lira").

A Justiça determinou ainda a conversão da prisão temporária em preventiva domiciliar para Vanessa Dantas, apontada pelas investigações como a "tesoureira" do braço financeiro da quadrilha no Sertão paraibano. A ré deverá permanecer recolhida em sua residência.

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Como funcionava o esquema criminoso

Deflagrada pela Polícia Civil paraibana, a Operação Perfidus apura a atuação de uma rede voltada ao tráfico de entorpecentes, corrupção e vazamento de segredos investigativos. A ação cumpriu nove mandados de prisão e 24 de busca e apreensão, resultando no bloqueio judicial de aproximadamente R$ 10 milhões em bens dos citados.

Segundo o inquérito, o policial Everton Aires atuava como conector entre a corporação e o crime organizado, gerenciando o depósito de drogas apreendidas e a negociação de substâncias como cocaína e skunk. Ele também administrava a contabilidade ilícita, esquemas de lavagem de dinheiro, importações irregulares e venda ilegal de anabolizantes, apresentando movimentações financeiras incompatíveis com seus rendimentos formais.

Por sua vez, o agente Eduardo Jorge participava das ações de apreensão irregular, rastreando veículos de facções e ocultando entorpecentes em sua própria casa. O relatório aponta repasses financeiros milionários e o uso de empresas de fachada para ocultação de patrimônio.

Atuação dos demais integrantes

Entre os civis denunciados, João Wicttor de Lima cuidava do refino e da distribuição dos entorpecentes repassados pelos policiais, auxiliado diretamente por Brendo Roberth Fernandes Sobral. Já Paulo Ricardo de Souza atuava como informante da equipe policial, monitorando depósitos de rivais em troca de parte das cargas retidas.

A distribuição de grandes remessas para o Sertão da Paraíba e para o Rio Grande do Norte ficava sob responsabilidade de José Alexandrino de Lira Júnior, financiador dos envios interestaduais. As apurações tiveram início após denúncias divulgadas na internet por Dankennedy Vieira Brito da Silva, membro de uma facção local que teria sido vítima da subtração de insumos efetuada pelos agentes públicos.

FONTE/CRÉDITOS: WGLEYSSON DE SOUZA – Jornalista REG. PROF. FENAJ - 4407/PB | API/PB 3072