Nesta quarta-feira, jovens do Distrito Federal e do entorno revelaram a Carta-Manifesto da Rede de Juventudes e Adolescências, estabelecendo o voto como instrumento fundamental para a transformação e exigindo que as juventudes periféricas participem ativamente das discussões políticas para as eleições de 2026.

A iniciativa faz parte da campanha Perifa nas Urnas, promovida pelo Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc) no Dia Internacional da Juventude. O objetivo principal é incentivar a conscientização eleitoral e pautar candidatos ao governo e ao legislativo sobre as reais necessidades locais.

Sara Lisboa, geógrafa em formação de 21 anos e moradora de Ceilândia, aponta que as políticas criadas em gabinetes distantes costumam falhar. Para ela, a elaboração de serviços públicos eficientes depende diretamente da vivência cotidiana de quem realmente os utiliza.

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A estudante reforça que o diálogo entre o poder público e as comunidades precisa ser contínuo, indo além do período eleitoral. Espaços coletivos e centros acadêmicos já servem como pontes para essa escuta ativa.

Mudança estrutural

Victor Queiroz, fotógrafo e graduado em Gestão Pública, compartilha da mesma visão sobre a importância de conscientizar a população. Morador do Paranoá, ele destaca que a participação ativa altera a percepção do sufrágio, transformando uma obrigação burocrática em uma conquista real.

Segundo Victor, muitas decisões técnicas ignoram o contexto social real por falta de escuta comunitária. A campanha busca justamente corrigir essa distância entre os gabinetes e as ruas.

Campanha e diálogo

Dyarley Viana de Oliveira, assessora política do Inesc, explica que a estratégia aposta na linguagem direta entre jovens. A ideia é demonstrar que a política institucional também pertence a essa parcela da população.

Durante dois anos de oficinas, mais de 150 adolescentes e moradores de várias regiões administrativas — como Taguatinga, Samambaia e Planaltina, além de cidades goianas — estruturaram as pautas do manifesto.

Orçamento e transparência

Além das demandas sociais, os grupos estudaram o orçamento do Distrito Federal para aprender a fiscalizar os investimentos públicos. A falta de clareza na aplicação das verbas levou o grupo a cobrar total transparência dos futuros governantes.

O documento final enfatiza que a separação de dados por raça, gênero e território é indispensável para garantir o controle social efetivo sobre as políticas públicas aplicadas.

Eixos estratégicos

As propostas entregues aos postulantes aos cargos eletivos englobam oito eixos essenciais. Entre as prioridades estão a construção de unidades de saúde, ampliação da assistência social, fortalecimento de cursinhos populares e melhorias na mobilidade urbana fora do eixo central de Brasília.

FONTE/CRÉDITOS: WGLEYSSON DE SOUZA – Jornalista REG. PROF. FENAJ - 4407/PB | API/PB 3072