O prefeito eleito de Cabedelo, Edvaldo Neto (Avante), foi diplomado nesta segunda-feira (25) em cerimônia no Teatro Santa Catarina, mas permanecerá afastado do cargo por conta de uma investigação judicial. O processo apura supostas conexões entre a administração pública e grupos criminosos na região, impedindo que o político tome posse efetiva do mandato conquistado nas urnas.

Ao lado do vice Evilásio Cavalcanti (Avante), Neto venceu o pleito suplementar realizado em 12 de abril com 16.180 votos, atingindo a marca de 61,21% da preferência do eleitorado. A entrega das credenciais eleitorais foi conduzida pela juíza Thana Michelle Carneiro Rodrigues, titular da 57ª Zona Eleitoral.

Diante do impedimento legal do titular, a chefia da prefeitura será assumida por Evilásio Cavalcanti. Como o vice-eleito não é alvo do inquérito que motivou o afastamento de Edvaldo Neto, sua posse foi agendada para ocorrer na Câmara Municipal ainda na noite desta segunda-feira.

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A decisão judicial que determinou o afastamento do político foi proferida apenas dois dias após a eleição suplementar. Edvaldo já geria o município de forma interina desde 2025, assumindo o posto após a cassação de André Coutinho (Avante), também sob suspeita de envolvimento com o crime organizado.

Houve uma tentativa jurídica de barrar a diplomação por meio de uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE) protocolada pela defesa do deputado Wallber Virgolino (PL). No entanto, o pedido de liminar para impedir o ato oficial foi negado pela Justiça Eleitoral ainda no mês de abril.

Esquema de fraude e influência de facções

As investigações apontam para a existência de um consórcio criminoso envolvendo políticos locais, empresários e a facção “Tropa do Amigão”, braço do Comando Vermelho. Estima-se que o grupo tenha movimentado cerca de R$ 270 milhões por meio de contratos públicos fraudulentos e manipulação de licitações.

Segundo a Polícia Federal e o Ministério Público da Paraíba, a Operação Cítrico revelou que o esquema utilizava empresas terceirizadas para infiltrar membros da facção no serviço público. O objetivo central era o desvio sistemático de recursos do tesouro municipal para o financiamento de atividades ilícitas.

O dinheiro destinado ao pagamento de postos de trabalho era parcialmente desviado para líderes da organização e agentes políticos envolvidos sob a forma de propina. As autoridades identificaram, inclusive, a implementação de uma "folha de pagamento paralela" para gerir a distribuição dos valores desviados.

FONTE/CRÉDITOS: WGLEYSSON DE SOUZA – Jornalista REG. PROF. FENAJ - 4407/PB | API/PB 3072