A eleição de 1986 guarda um capítulo curioso e didático da política cajazeirense. Naquele pleito, o médico Francisco Deusdedit de Alencar Vasconcelos Leitão, filiado ao PFL, protagonizou uma das maiores votações já registradas no município. Foram 4.442 votos em Cajazeiras, o equivalente a 27,17% dos votos válidos, um desempenho que, localmente, beirava o avassalador.

O contraste aparece quando se observa o cenário interno da disputa. Outros nomes conhecidos da política e da sociedade cajazeirense também concorreram. O advogado Antônio Quirino de Moura obteve 2.798 votos; Tarciso Telino ficou logo atrás, com 2.755; o médico José Aldemir Meireles somou 1.709 votos; e o odontólogo Abdiel Rolim alcançou 1.027 votos, além de outros candidatos com desempenho menor. Mesmo com essa pulverização, Deusdedit se destacou como o mais votado da cidade.

O problema, como quase sempre na Política da Paraíba, não estava em Cajazeiras. Estava no mapa maior. Quando se ampliam os números para todo o Estado, a realidade muda drasticamente. Deusdedit Leitão obteve apenas 6.178 votos em toda a Paraíba, o que representou 0,71% dos votos válidos. O resultado final lhe garantiu apenas uma modesta suplência na Assembleia Legislativa.

Publicidade
Publicidade

Leia Também:

O episódio escancara uma verdade incômoda: voto concentrado em casa não garante mandato fora dela. A matemática eleitoral estadual exige capilaridade, alianças amplas e presença regional, algo que muitos candidatos fortes em seus redutos acabam subestimando.

O caso de 1986 segue atual. Ele ajuda a explicar por que lideranças com enorme prestígio local nem sempre conseguem transformar popularidade municipal em poder institucional. É a política ensinando, mais uma vez, que emoção vence eleição pequena, mas estratégia decide eleição grande.

FONTE/CRÉDITOS: TV E PORTAL SERTÃO | REPÓRTER TV – Wgleyson de Souza – Jornalista. DRT 4407/PB | API/PB 3072.