O Sistema Único de Saúde (SUS) avalia incorporar ainda em 2024 o cabotegravir, um medicamento injetável voltado para a profilaxia pré-exposição (PrEP) contra o HIV, com o objetivo de ampliar as opções de prevenção no país.

O pedido formal de inclusão será enviado na próxima semana pelo Ministério da Saúde à Comissão Nacional de Incorporação de Novas Tecnologias no SUS (Conitec).

Cabe ao colegiado independente analisar o custo-benefício da tecnologia antes da liberação oficial na rede pública.

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A decisão final recai sobre a pasta ministerial. Alexandre Padilha, titular do Ministério da Saúde, informou que o governo negocia com a farmacêutica GSK o volume de doses e o valor final do fármaco, destacando que a empresa apresentou uma proposta financeiramente viável.

Durante coletiva na 26ª Conferência Internacional de Aids, no Rio de Janeiro, o ministro ressaltou que as inovações de ação prolongada são bem-vindas, desde que comercializadas por preços justos para os governos.

Lenacapavir

Conforme explicou Padilha, o fator financeiro definiu a escolha da PrEP injetável adotada pelo governo.

Outra alternativa, o lenacapavir, assegura imunização por seis meses, mas a fabricante cobrou um patamar considerado insustentável.

Mesmo aceitando pagar um acréscimo expressivo em relação a nações como Indonésia e Tailândia, a indústria recusou negociar valores acessíveis para o sistema público brasileiro.

O Brasil ficou de fora do acordo de licenciamento voluntário firmado pela Gilead, mesmo tendo participado dos testes clínicos do produto.

A postura gerou críticas de entidades como o UNAIDS, que enxergam no lenacapavir um instrumento crucial para erradicar a epidemia globalmente.

Em nota, a Gilead pontuou que busca alternativas sustentáveis de longo prazo para o mercado brasileiro e prioriza parcerias locais.

A companhia assinou um memorando com a Fundação Oswaldo Cruz para avaliar a transferência de tecnologia no país.

PreP oral

Atualmente, a rede pública já distribui a modalidade oral da profilaxia, baseada na ingestão diária de comprimidos por mais de 350 mil usuários.

O grande diferencial da versão injetável é a facilidade de adesão, superando a rotina diária exigida pelos comprimidos.

Uma pesquisa da Fiocruz com 1,4 mil voluntários revelou que 83% preferiram a injeção.

Além disso, 94% retornaram aos postos no período adequado, mantendo a imunização sem registro de novas infecções.

Pesquisas reais conduzidas pela ViiV Healthcare e pela GSK comprovaram a alta eficácia do tratamento, registrando uma taxa anual de infecção de apenas 0,1%.

FONTE/CRÉDITOS: WGLEYSSON DE SOUZA – Jornalista REG. PROF. FENAJ - 4407/PB | API/PB 3072