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No Rio de Janeiro, cerca de 16 mulheres foram vítimas de crimes virtuais diariamente ao longo de 2025, conforme revela o Dossiê Mulher 2026 divulgado nesta quarta-feira (1º). O levantamento do Instituto de Segurança Pública (ISP) destaca um salto alarmante de 1.300% nessas ocorrências em dez anos, impulsionado pela adaptação da misoginia ao ambiente digital.
No total, 5.970 vítimas sofreram agressões psicológicas ou morais pela internet no último ano. Ao ampliar o recorte para todas as formas de violência, o estado contabilizou 159.041 casos em 2025, o que representa uma média de 18 notificações por hora.
O perfil das vítimas é composto majoritariamente por mulheres negras (52,3%) e solteiras (47,9%). Além disso, a faixa etária entre 18 e 29 anos concentra a maior parte dos registros, somando 29,8% do total das ocorrências registradas no estado.
O avanço do discurso misógino nas redes
O estudo do ISP introduz uma análise inédita sobre o movimento redpill e a propagação de ódio na plataforma X. Esse grupo promove o "masculinismo" em oposição ao feminismo, defendendo a submissão feminina e a retomada do domínio masculino na sociedade.
A diretora-presidente do ISP, Bárbara Caballero, expressou preocupação com a adesão de jovens a esses discursos. Segundo ela, o fortalecimento de ideias machistas representa um retrocesso diante das recentes conquistas nos direitos das mulheres e políticas de enfrentamento.
Para combater essa tendência, o Senado aprovou um projeto de lei que tipifica a misoginia como crime, equiparando-a aos delitos de preconceito previstos na Lei do Racismo. O texto agora aguarda análise da Câmara dos Deputados.
Persistência da violência física e descumprimento de medidas
A violência física continua sendo a segunda forma de agressão mais comum, com 43.307 vítimas em 2025. Isso equivale a um ataque a cada 12 minutos, sendo que, em mais da metade dos casos, os autores eram companheiros ou ex-parceiros das vítimas.
O ambiente digital também tem sido usado para violar medidas protetivas de urgência. Cerca de 10% dos descumprimentos ocorreram via redes sociais ou aplicativos de mensagem, incluindo o uso de transações via PIX para perseguir ou monitorar as vítimas.
As Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher (DEAMs) concentraram 28,3% de todos os registros do estado. As 15 unidades especializadas realizaram, em média, uma denúncia a cada 12 minutos durante o ano de 2025.
Dados alarmantes sobre feminicídio no estado
O Rio de Janeiro registrou 105 feminicídios em 2025, a maioria cometida dentro de casa (83,8%). O levantamento aponta que 70% das vítimas já possuíam histórico de violência doméstica, mas não haviam denunciado formalmente os agressores às autoridades.
Ciúmes e discussões banais foram as principais motivações em 78,2% dos casos. Além disso, o impacto social é profundo: 59% das vítimas eram mães, e a maioria deixou filhos menores de idade órfãos após o crime.
Abuso sexual e vulnerabilidade infantil
Em 2025, 8.681 mulheres e meninas sofreram violência sexual. O cenário é crítico para crianças, com o estupro de vulnerável liderando as estatísticas (3.415 casos). Quase metade dessas vítimas tinha até 11 anos de idade.
A importunação sexual teve um aumento de 11,6% em relação ao período anterior. Em contrapartida, o assédio sexual apresentou uma redução de 10,3%, enquanto os registros de ato obsceno subiram 3,5% no estado.
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Assista à reportagem sobre a pesquisa no Repórter Brasil Tarde, da TV Brasil.
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