A partir do mês de junho, o SUS iniciará a implementação de um imunizante mais robusto contra a doença pneumocócica em todo o Brasil. A nova vacina pneumocócica conjugada 20-valente (VPC20) passará a substituir a antiga versão 10-valente, dobrando a capacidade de proteção contra os sorotipos da bactéria e visando reduzir casos graves de meningite.

O Ministério da Saúde oficializou a transição nesta quarta-feira (27) por meio de um guia técnico preliminar voltado a gestores e profissionais de saúde. As secretarias municipais estão autorizadas a iniciar a vacinação assim que os novos lotes forem entregues às unidades básicas.

A patologia pneumocócica deriva da infecção pela bactéria Streptococcus pneumoniae. Embora possa causar problemas comuns como sinusites e otites, o patógeno é frequentemente associado a complicações severas, como pneumonia, sepse e inflamações nas membranas do cérebro.

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Estatísticas apontam que o pneumococo é o agente por trás de até 50% das ocorrências de meningite bacteriana em crianças, apresentando um índice de letalidade próximo a 30%. Além dos pequenos, idosos e imunossuprimidos compõem o grupo de maior risco epidemiológico.

Desde que a VPC10 foi integrada ao calendário infantil em 2010, o Brasil observou uma queda de 60% nas doenças causadas pelos sorotipos cobertos pelo imunizante em crianças de até dois anos. No mesmo grupo, a incidência de meningite caiu 65% na última década.

Entretanto, o cenário epidemiológico recente mostra um novo sinal de alerta. Entre 2013 e 2019, o país registrava cerca de 164 casos anuais de meningite pneumocócica em menores de 5 anos; entre 2022 e 2024, esse número subiu para uma média de 211,3 registros.

Flávia Bravo, diretora da Sociedade Brasileira de Imunizações, esclarece que esse aumento é um reflexo direto da própria eficácia vacinal, que altera a dinâmica de circulação dos patógenos no ambiente.

Segundo a especialista, o controle rigoroso dos dez tipos iniciais permitiu que outros sorotipos ocupassem esse vácuo biológico, um fenômeno técnico conhecido como replacement. A introdução da VPC20 visa justamente conter essas cepas que ganharam espaço.

Levantamentos de vigilância do Ministério da Saúde confirmam que quase 40% dos casos graves registrados entre 2018 e 2023 foram provocados por dois tipos específicos da bactéria que não eram combatidos pela vacina antiga, mas estão presentes na nova formulação.

A médica ressalta que, em bebês menores de um ano, 11% das meningites são causadas por tipos adicionais agora incluídos na 20-valente. A expectativa é que a curva de incidência volte a cair ao atacar os sorotipos que prevalecem atualmente no território nacional.

As vacinas conjugadas oferecem um benefício coletivo ao impedir que a bactéria se aloje na nasofaringe dos imunizados. Isso interrompe a cadeia de transmissão, gerando a chamada imunidade de rebanho que protege inclusive quem não recebeu a dose.

O Programa Nacional de Imunizações (PNI) já utilizava versões como a VPC13 e a VPP23 para públicos com comorbidades específicas. Com a chegada da VPC20, essas vacinas também serão gradualmente substituídas conforme o esgotamento dos estoques vigentes.

Grupos prioritários e de alto risco

Devem receber o imunizante pessoas vivendo com HIV/aids, pacientes oncológicos, transplantados, indivíduos com doenças crônicas no coração, pulmões, rins ou fígado, além de diabéticos, asmáticos graves, pessoas com síndrome de Down e prematuros.

O cronograma vacinal padrão para bebês estabelece duas doses aos 2 e 4 meses de vida, com um reforço essencial aos 12 meses. É vital que pais de crianças menores de 5 anos com o esquema incompleto procurem os postos para atualização imediata.

Durante a fase de transição, o SUS adotará esquemas mistos: crianças que iniciaram com a VPC10 poderão completar o ciclo com a VPC20. Além disso, menores de 5 anos que já finalizaram o esquema básico antigo receberão uma dose de reforço com a nova vacina.

A imunização é contraindicada apenas para quem possui histórico de alergia grave a componentes da vacina. Em casos de quadros febris agudos no dia da aplicação, a recomendação médica é aguardar a estabilização do quadro clínico antes de se vacinar.

FONTE/CRÉDITOS: WGLEYSSON DE SOUZA – Jornalista REG. PROF. FENAJ - 4407/PB | API/PB 3072