Um levantamento inédito sobre as unidades de terapia intensiva, conhecidas como UTIs no Brasil, evidencia um abismo na percepção de qualidade entre os serviços públicos e privados. Enquanto avaliações positivas dobram na rede particular, as negativas chegam a ser quatro vezes maiores no setor público, conforme apontam especialistas da área.

O estudo foi conduzido no âmbito do Inquérito Nacional sobre a Força de Trabalho Médica nas UTIs Brasileiras. A iniciativa é da Associação de Medicina Intensiva Brasileira, com o respaldo do Conselho Federal de Medicina.

Durante a pesquisa, os profissionais responderam a um questionário detalhado. Eles atribuíram notas de 0 a 5 a quesitos cruciais para o funcionamento dos leitos de alta complexidade, incluindo infraestrutura, medicamentos, fluxos de pacientes e protocolos clínicos.

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Para a Associação de Medicina Intensiva Brasileira, os dados servem como um alerta urgente. As autoridades precisam tratar a estruturação dos hospitais de forma ampla, priorizando melhorias sistêmicas em vez de focar apenas na expansão numérica de vagas.

O diagnóstico completo será apresentado a gestores dos setores público e privado. A meta é pressionar por mudanças que beneficiem diretamente os 43.901 leitos ativos em todo o território nacional, abrangendo tanto o atendimento adulto quanto a pediatria e a neonatologia.

Desigualdade nos insumos e medicamentos

A escassez de recursos básicos é um dos pontos mais críticos apontados pelos profissionais. Apenas 22,7% dos médicos que atuam no Sistema Único de Saúde enxergam uma disponibilidade adequada de fármacos essenciais.

Em contrapartida, nos hospitais particulares ou vinculados a planos de saúde, esse índice de aprovação sobe expressivamente para 57,7%. O abismo também se reflete nas notas ruins atribuídas à gestão de insumos no atendimento público.

Desafios na equipe e protocolos

Outro fator de destaque na pesquisa é a discrepância na presença de equipes multiprofissionais qualificadas. A carência de enfermeiros especializados em terapia intensiva atinge índices alarmantes na rede pública, dificultando o suporte adequado aos pacientes graves.

A única exceção identificada pelo inquérito, onde a opinião dos médicos convergiu em ambos os setores, diz respeito ao volume de tarefas burocráticas e administrativas exigidas na rotina diária.

FONTE/CRÉDITOS: WGLEYSSON DE SOUZA – Jornalista REG. PROF. FENAJ - 4407/PB | API/PB 3072