O futebol tem cartão amarelo, cartão vermelho e, em Cajazeiras, a política resolveu importar a arbitragem. No comício realizado em 12 de setembro, durante a passagem da Caravana “Daqui pra Melhor”, três lideranças expressivas do município teriam recebido, metaforicamente, um cartão vermelho: Dra. Paula, Júnior Araújo e Chico Mendes ficaram sem espaço para falar no palanque.

O evento marcou o encerramento da passagem de Lucas Ribeiro pelo Alto Sertão e reuniu diferentes grupos políticos de Cajazeiras em torno da candidatura do governador à reeleição. A programação oficial previa o encerramento com um grande comício na cidade.

O episódio envolvendo os discursos, entretanto, acrescentou uma dose extra de tensão à noite. Relato publicado posteriormente pela imprensa local afirma que Júnior Araújo teria sido retirado da relação de lideranças que fariam uso da palavra. A mesma publicação registra ainda um problema com o microfone durante a fala de Zé Aldemir, que precisou receber outro equipamento.

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No caso de Dra. Paula e Chico Mendes, a informação de que também teriam ficado sem discursar circula no relato político sobre o evento, mas não encontrei, nas fontes públicas consultadas, confirmação independente que permita afirmar que os três foram formalmente impedidos de falar por uma decisão previamente determinada.

E é justamente aí que começa a parte mais interessante dos bastidores.

Com três candidaturas a deputado estadual disputando espaço dentro de uma mesma estrutura política, qualquer definição de quem fala, quem aparece e quem ocupa o centro do palanque pode ganhar significado político. Em Cajazeiras, Lucas conseguiu reunir em seu entorno lideranças que tradicionalmente estiveram em campos distintos, entre elas Júnior Araújo, Dra. Paula, Chico Mendes e Zé Aldemir.

Nos bastidores, comenta-se que a ordem das falas e a composição do palanque teriam sido “combinadas” antes do início do comício. Essa versão, porém, permanece no campo dos comentários de bastidores e não está comprovada por documento ou declaração pública dos envolvidos.

Outro detalhe que chamou atenção foi o atraso. A programação divulgada anteriormente previa o encerramento da caravana em Cajazeiras às 20h15, depois de uma agenda que passou por oito municípios do Alto Sertão.

Se o atraso realmente se aproximou das três horas mencionadas nos bastidores, o episódio acrescenta outro ingrediente à noite política: enquanto as lideranças aguardavam o momento do discurso, o público também enfrentava uma longa espera.

No fim das contas, quem paga a conta do atraso e da desorganização de qualquer evento político é sempre o mesmo personagem: o eleitor que ficou esperando.

O episódio também deixa uma questão política para além daquele palanque. É possível reunir grupos diferentes em torno de um mesmo candidato majoritário, como ocorreu em Cajazeiras, mas isso não significa que as diferenças entre esses grupos tenham desaparecido.

Pelo contrário. Quando todos querem espaço no mesmo palanque, até o microfone pode virar instrumento de disputa.

E, naquela noite, pelo menos três lideranças ficaram sem ele.

FONTE/CRÉDITOS: WGLEYSSON DE SOUZA – Jornalista. REG. PROF. FENAJ 4407/PB | API/PB 3072