Júnior Araújo mira a Mesa da ALPB e coloca articulação com Lucas Ribeiro no centro do próximo capítulo

A eleição acabou no domingo, mas a política paraibana já abriu uma nova frente de disputa. Com 36 deputados definidos para a próxima legislatura, começa agora a movimentação em torno da composição da Mesa Diretora da Assembleia Legislativa da Paraíba, especialmente da Presidência da Casa.

Entre os nomes que já haviam sinalizado interesse está Júnior Araújo. O deputado do Progressistas foi reeleito para o terceiro mandato e confirmou anteriormente que, caso conquistasse a vaga, colocaria seu nome à disposição para a disputa. Em entrevista concedida ainda durante a campanha, afirmou que a Presidência dependeria de construção e articulação política, e não apenas de uma decisão individual. 

O cenário agora é diferente daquele de meses atrás. Júnior está novamente entre os 36 eleitos e o PP chega à próxima legislatura com oito deputados, mesma quantidade conquistada pelo Republicanos. As duas legendas formarão as maiores bancadas da ALPB, cada uma com oito cadeiras.

Publicidade
Publicidade

Leia Também:

Esse equilíbrio muda o peso das articulações. A Presidência não será definida simplesmente pela maior votação individual, mas por uma construção que envolve bancadas, alianças e capacidade de reunir apoio dentro da Casa.

Júnior Araújo já havia deixado claro que não trataria o assunto como um projeto isolado. Segundo sua própria declaração, eventual candidatura dependeria da construção política e da correlação de forças formada depois da eleição.

E existe um elemento novo nessa equação: Lucas Ribeiro foi eleito governador da Paraíba no primeiro turno, com 64,30% dos votos válidos, segundo a totalização divulgada pelo TRE-PB. A vice-governadora eleita é Lígia Feliciano. 

Por isso, a própria fala de Júnior sobre a necessidade de diálogo com o governador eleito ganha relevância. A disputa pela Presidência da Assembleia começa a ser desenhada não apenas dentro do plenário, mas também na relação entre o Legislativo e o Executivo que assumirá o próximo ciclo.

A questão central será saber como PP e Republicanos, hoje empatados em número de cadeiras, vão construir uma composição para o comando da Casa. Júnior pertence justamente ao partido de Lucas Ribeiro, o que acrescenta uma dimensão política adicional à discussão, embora não seja suficiente, por si só, para determinar qualquer resultado.

A campanha “pé no chão”

O segundo eixo da fala de Júnior Araújo envolve dinheiro. O deputado apresentou sua campanha como uma disputa feita com estrutura financeira relativamente enxuta e afirmou que não trabalha com a lógica que classificou como “campanha de mala”.

Os dados públicos disponíveis da prestação de contas confirmam que a campanha declarou R$ 100 mil em receitas, integralmente provenientes da Direção Nacional do PP, segundo os registros consultados. A prestação também registra R$ 106.582 em despesas contratadas. Entre os principais gastos aparecem pesquisa eleitoral, materiais gráficos e comunicação visual. 

A documentação pública, portanto, dá sustentação à informação de que houve R$ 100 mil recebidos do partido. Já a afirmação de que todas as despesas estariam quitadas na sexta-feira posterior à eleição é uma declaração do próprio candidato e não deve ser confundida com uma conclusão definitiva da Justiça Eleitoral.

Isso porque prestação de contas eleitoral e julgamento das contas são etapas diferentes. O próprio TSE mantém o sistema de prestação de contas e informa que os dados apresentados pelas campanhas passam posteriormente pela análise da Justiça Eleitoral.

Também chama atenção a diferença entre despesa contratada e despesa efetivamente paga. Na atualização consultada em 7 de outubro, a prestação atribuída à campanha apresentava R$ 106.582 em despesas contratadas e R$ 64.802 em valores pagos. 

Isso não significa, por si só, que exista irregularidade. Significa apenas que os números precisam ser lidos tecnicamente, sem transformar declaração política em certificado contábil. A burocracia eleitoral, infelizmente para quem gosta de frases simples, tem dessas coisas.

Júnior tenta construir, com a narrativa da campanha “pé no chão”, uma identidade política baseada no trabalho, na presença territorial e na rejeição à ideia de que eleição se resume à capacidade financeira.

A partir de agora, porém, o desafio muda. Depois de conquistar a reeleição, o principal capital de Júnior Araújo deixa de ser apenas eleitoral e passa a ser também político: sua capacidade de transformar os oito deputados do PP, a relação com Lucas Ribeiro e os demais grupos da Assembleia em apoio efetivo dentro da Mesa Diretora.

A disputa pela Presidência da ALPB está apenas começando. E, neste momento, mais importante do que anunciar uma candidatura é saber quantos votos ela consegue reunir quando chegar a hora da escolha.

FONTE/CRÉDITOS: WGLEYSSON DE SOUZA – Jornalista. REG. PROF. FENAJ 4407/PB | API/PB 3072