Qual é o número mais importante da pesquisa para o Senado da Paraíba que quase ninguém está discutindo?

Não são os 27% de João Azevêdo. Também não são os 17% de Veneziano Vital do Rêgo nem os 9% de Nabor Wanderley.

O número capaz de decidir essa eleição é 75%.

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Na pesquisa espontânea da Quaest, quando os nomes dos candidatos não são apresentados aos entrevistados, três em cada quatro eleitores ainda não sabem em quem votar para o Senado.

Esse dado mostra que a disputa continua aberta e que o volume de prefeitos anunciados nas redes sociais ainda não se transformou, necessariamente, em voto consolidado.

O retrato da pesquisa estimulada

Na pesquisa estimulada, considerando a combinação dos votos para as duas vagas, João Azevêdo aparece na liderança com 27%. Veneziano ocupa a segunda colocação, com 17%.

Nabor Wanderley registra 9%, seguido por Marcelo Queiroga, com 6%, e Major Fábio, com 5%. Com margem de erro de três pontos percentuais, Nabor, Queiroga e Major Fábio aparecem tecnicamente empatados.

O levantamento foi realizado pela Quaest entre os dias 21 e 24 de agosto, com 804 eleitores. A pesquisa possui nível de confiança de 95% e foi registrada no TSE sob os números PB-07850/2026 e BR-00699/2026.

A pesquisa estimulada também registrou 15% de indecisos e 17% de votos brancos, nulos ou eleitores que não pretendiam votar.

A espontânea muda a conversa

Quando a Quaest retirou a lista de candidatos e perguntou espontaneamente em quem o eleitor pretendia votar, o cenário ficou muito mais nebuloso.

João Azevêdo foi citado por 8%, Veneziano por 5%, Nabor por 4% e Marcelo Queiroga por 2%. Outros nomes registraram percentuais menores, enquanto 75% permaneceram indecisos.

Esse é o verdadeiro terreno da campanha.

A eleição para senador costuma receber menos atenção do que a disputa pelo Governo e pela Presidência da República. Além disso, em 2026, cada eleitor pode votar em dois candidatos ao Senado, situação que amplia as possibilidades de combinação e aumenta a incerteza.

Os favoritos lideram, mas ainda não dominam a memória do eleitor.

Prefeito não é dono do voto

A candidatura de Nabor apresenta diariamente novos prefeitos, vereadores e lideranças. O grupo comandado por Hugo Motta consolidou uma estrutura estadual impressionante, com forte presença no interior e capacidade para reunir palanques até em municípios onde situação e oposição aparecem apoiando o mesmo candidato.

Segundo informações divulgadas por aliados, Nabor trabalhava com a expectativa de reunir entre 170 e 180 prefeitos. Reportagem da Folha também apontou o crescimento do Republicanos na Paraíba, partido que passou a controlar aproximadamente 50 prefeituras no estado.

Diante dessa estrutura, os 9% da Quaest levantam uma pergunta inevitável: por que o apoio institucional ainda não produziu um crescimento proporcional entre os eleitores?

A resposta pode estar na diferença entre apoio político e transferência eleitoral.

Prefeito pode entregar palanque, carro de som e liderança; o que ele não consegue garantir é o voto secreto depositado na urna.

A velha lógica do “voto de cabresto” perdeu força, principalmente nos maiores centros urbanos. Quanto maior a cidade, mais disperso é o eleitorado e menor costuma ser a capacidade da prefeitura de controlar a decisão individual.

E a rejeição de Hugo Motta?

Circula a afirmação de que Hugo Motta possuiria 84% de rejeição nacional e que esse índice estaria impedindo o crescimento do pai.

Até o momento, porém, não foi localizado um levantamento registrado que sustente esse percentual. Sem o nome do instituto, período das entrevistas, tamanho da amostra, margem de erro e registro eleitoral, o número não deve ser publicado como fato.

A pesquisa Quaest citada também não apresentou, na divulgação consultada, um índice específico de rejeição a Hugo Motta. Portanto, não é possível concluir, com base nesse levantamento, que os 9% de Nabor sejam consequência direta da imagem nacional do filho.

Isso não significa que o chamado “fator Hugo” seja irrelevante.

Como presidente da Câmara, Hugo Motta passou a enfrentar críticas nacionais de setores da esquerda, da direita e de movimentos sociais. Sua atuação pode produzir tanto vantagens quanto desgaste para a candidatura do pai.

A ligação familiar oferece a Nabor acesso a prefeitos, recursos políticos e visibilidade. Mas também faz com que o candidato carregue parte da aprovação e da rejeição acumuladas por Hugo.

A estrutura também pode virar teto

Nabor é apresentado como o candidato municipalista, apoiado por uma quantidade expressiva de prefeitos. Essa força pode garantir uma votação sólida nas cidades pequenas e médias.

O problema aparece quando a campanha precisa atravessar os limites dos grupos municipais e conquistar o eleitor independente de João Pessoa, Campina Grande, Santa Rita, Bayeux, Cabedelo, Patos, Sousa, Cajazeiras e dos demais centros urbanos.

Nesses locais, o eleitor tende a possuir mais fontes de informação, maior distanciamento das estruturas municipais e menor dependência direta do prefeito.

A fotografia com uma liderança pode fortalecer a campanha dentro de um grupo. Fora dele, pode não significar absolutamente nada.

Também existe outro risco: algumas lideranças anunciam apoio, mas não conseguem entregar aos dois candidatos ao Senado a mesma quantidade de votos. Como o eleitor pode escolher dois nomes, prefeitos e vereadores precisam dividir sua capacidade de transferência entre diferentes candidaturas.

João Azevêdo, por exemplo, participa do mesmo campo governista de Nabor. Isso pode fazer com que o primeiro voto seja consolidado em João, enquanto o segundo continue aberto ou migre para outro candidato.

A disputa real pela segunda vaga

João Azevêdo aparece com vantagem e maior lembrança espontânea. Veneziano ocupa a segunda colocação e possui mandato, estrutura e conhecimento estadual.

Atrás deles, Nabor, Queiroga e Major Fábio formam um bloco competitivo. Pela margem de erro, a distância entre os três ainda não permite declarar uma terceira força isolada.

Nabor tem prefeitos. Queiroga possui o eleitorado bolsonarista. Major Fábio pode captar votos de direita, policiais e eleitores insatisfeitos com as estruturas tradicionais.

Cada um possui uma base potencial. Nenhum deles, até agora, conseguiu transformá-la numa onda estadual capaz de romper claramente o empate.

A eleição ainda está sem dono

A pesquisa não autoriza decretar a derrota de Nabor. Também não sustenta a narrativa de que sua estrutura política já garantiu uma das vagas.

O dado mais honesto é que 75% dos eleitores, na pesquisa espontânea, ainda não apresentavam espontaneamente um candidato ao Senado.

Esse contingente é grande o suficiente para confirmar os favoritos, promover uma virada ou desmontar todas as previsões feitas nos gabinetes.

Nabor possui um exército de prefeitos. Resta saber quantos soldados eleitorais realmente seguirão a orientação até a urna.

Porque apoio político se anuncia no palanque. Voto mesmo só aparece depois que a urna é aberta.

Instagram oficial:
@wgleyssondesouza

FONTE/CRÉDITOS: WGLEYSSON DE SOUZA – Jornalista. REG. PROF. FENAJ 4407/PB | API/PB 3072