A fatura política mais difícil talvez não seja aquela que chega no dia seguinte à eleição. Pode ser a que começa a ser cobrada quando os grupos precisam sentar à mesa para definir os próximos passos.

Em Cajazeiras, há um dado político que chama atenção: os três principais candidatos a deputado estadual ligados aos grupos que disputam espaço no município estão, neste momento, votando em Lucas Ribeiro (PP) para o Governo da Paraíba.

E aí aparece o nó.

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As pesquisas eleitorais divulgadas em setembro mostram Lucas Ribeiro na liderança da disputa pelo Governo da Paraíba. Na pesquisa Quaest divulgada em 22 de setembro, ele apareceu com 49% das intenções de voto no primeiro turno, enquanto Efraim Filho registrou 16% e Cícero Lucena, 15%.

Outro levantamento, da AtlasIntel, realizado entre 28 de agosto e 2 de setembro, também apontou Lucas na liderança, com 42,4%, contra 30,9% de Efraim Filho e 19,8% de Cícero Lucena.

Portanto, existe uma convergência eleitoral em torno do nome de Lucas Ribeiro. O problema político, porém, começa justamente depois que todos esses apoios forem contabilizados.

Porque uma coisa é caminhar juntos para uma eleição estadual. Outra, bastante diferente, é decidir quem estará ao lado de quem quando chegar a hora de montar o próximo projeto político de Cajazeiras.

É nesse ponto que a pergunta ganha força: com quem São Lucas vai ficar?

A expressão, obviamente, é uma provocação da coluna com o nome do candidato. Mas o problema político por trás do trocadilho é real. Se os grupos hoje divididos em três campos apoiam o mesmo candidato ao Governo, como ficará essa relação quando a disputa passar a ser municipal?

E há ainda um ingrediente que deixou os bastidores ainda mais movimentados: circulou entre lideranças uma suposta pesquisa de consumo interno sobre a disputa para deputado estadual que, segundo relatos, provocou forte reação entre os grupos políticos.

Essa pesquisa, entretanto, não foi apresentada publicamente à coluna e seus números não estão confirmados por fonte independente. Por isso, não é possível tratar seus eventuais resultados como dado eleitoral consolidado.

Mas o simples fato de uma pesquisa interna estar sendo comentada já revela o grau de atenção que os grupos estão dando aos números desta eleição.

A conta, portanto, não é apenas matemática. É política.

Cada grupo está fazendo sua própria leitura do cenário, medindo força, estrutura, capacidade de transferência de votos e espaço para a próxima etapa. E quando três projetos diferentes convergem para o mesmo candidato majoritário, inevitavelmente surge uma pergunta sobre como essa convergência será administrada depois.

O apoio a Lucas pode aproximar os grupos na eleição estadual, mas não elimina as diferenças que existem na disputa pelo futuro político de Cajazeiras.

É justamente aí que a “fatura” poderá chegar.

O eleitor vai às urnas para escolher governador e deputados. Os grupos políticos, além disso, estarão observando seus próprios números. Quem cresceu? Quem manteve força? Quem perdeu espaço? Quem conseguiu transformar apoio político em voto? E, principalmente, quem terá condições de sentar à mesa depois da eleição com mais força de negociação?

São perguntas que só poderão ser respondidas pelos fatos e pelos resultados das urnas.

Por enquanto, o cenário produz uma curiosidade política difícil de ignorar: três grupos que podem disputar entre si o futuro de Cajazeiras estão, simultaneamente, pedindo votos para o mesmo candidato ao Governo da Paraíba.

A eleição ainda não terminou. Mas a próxima conta já começou a ser feita.

FONTE/CRÉDITOS: WGLEYSSON DE SOUZA – Jornalista. REG. PROF. FENAJ 4407/PB | API/PB 3072