A eleição para deputado estadual em Cajazeiras ganhou uma dimensão que vai muito além da disputa por uma cadeira na Assembleia Legislativa. À medida que a campanha avança, os movimentos dos principais grupos políticos do município começam a ser observados também sob a perspectiva de 2028.

Não se trata de antecipar uma eleição municipal que ainda está distante, mas de reconhecer um fato político: a votação de 2026 poderá oferecer um retrato importante da força eleitoral de cada grupo dentro de Cajazeiras.

De um lado, está o grupo formado em torno de Júnior Araújo e da prefeita Corrinha Delfino. Em agosto, os dois lideraram uma plenária que marcou uma etapa de mobilização da base governista, com apresentação dos nomes apoiados pelo grupo e participação de militantes.

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Do outro, Nil Mendes e Chico Mendes construíram uma campanha que também ultrapassa a simples disputa proporcional. A candidatura de Nil passou a representar a continuidade do espaço político construído por Chico Mendes no município e na região.

E há ainda o grupo de Dra. Paula e Zé Aldemir, cuja movimentação colocou novamente o ex-prefeito no centro da disputa política local. O próprio confronto público entre Júnior Araújo e Zé Aldemir ao longo de 2026 evidenciou que as relações dentro do Progressistas de Cajazeiras passaram por mudanças importantes.

O cenário, portanto, tem três grupos com projetos e alianças diferentes. E cada voto conquistado agora poderá ser analisado posteriormente como indicador de capacidade de mobilização, organização territorial e influência política.

A verdadeira fatura da eleição de 2026 poderá começar a ser cobrada em 2028, quando os grupos terão de transformar os números obtidos nas urnas em força política para uma nova disputa municipal.

Há, entretanto, uma diferença importante entre termômetro eleitoral e resultado antecipado. Uma votação expressiva para deputado não significa automaticamente transferência de votos para uma candidatura a prefeito dois anos depois. Até lá, podem mudar alianças, governo, lideranças, composição partidária e até os próprios nomes colocados na disputa.

O próprio ambiente político já demonstra que as articulações de 2028 começaram a ser discutidas. Em maio, Júnior Araújo declarou apoio à eventual reeleição de Corrinha e afirmou que estaria preparado para enfrentar diferentes composições políticas no futuro.

A eleição deste ano, portanto, apresenta uma peculiaridade: os eleitores vão escolher deputados, mas os grupos políticos de Cajazeiras também estarão medindo forças para uma disputa que ainda nem começou oficialmente.

Quando a fatura chegar, os números estarão nas urnas. E, naquele momento, será possível comparar discurso, estrutura, mobilização e votação real de cada grupo. O restante é política, e política, como a história de Cajazeiras demonstra, costuma ter memória longa.

FONTE/CRÉDITOS: WGLEYSSON DE SOUZA – Jornalista. REG. PROF. FENAJ 4407/PB | API/PB 3072