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A eleição de 2026 ainda nem terminou, mas, em Cajazeiras, uma pergunta já começa a ocupar espaço nos bastidores: quem ficará com o controle político do PP quando a próxima disputa municipal entrar definitivamente no radar?
De um lado, está a aliança formada por Júnior Araújo e Corrinha Delfino. Do outro, Zé Aldemir e Dra. Paula, também ligados ao Progressistas. O que antes parecia apenas uma divergência dentro do mesmo grupo político ganhou contornos mais definidos ao longo do ano.
A própria Corrinha, em maio, confirmou o rompimento político com Zé Aldemir, embora tenha atribuído o afastamento a divergências na condução política e administrativa. Júnior Araújo, por sua vez, declarou apoio à reeleição da prefeita e afirmou estar preparado para enfrentar qualquer composição que venha a disputar 2028.
Zé Aldemir também decidiu disputar novamente uma vaga na Assembleia Legislativa, depois de abandonar a possibilidade de concorrer à Câmara Federal. O movimento colocou novamente os dois nomes do PP, Júnior e Zé, em uma disputa direta pelo eleitorado de Cajazeiras.
E é justamente aí que começa a conta política.
Serão três candidaturas com peso eleitoral no município, envolvendo os campos de Júnior Araújo, Nil Mendes/Chico Mendes e Zé Aldemir? Ou, depois da apuração de 2026, duas dessas forças encontrarão algum ponto de convergência para a disputa municipal?
A pergunta seguinte é ainda mais delicada: quem poderá se aproximar de quem? Zé Aldemir e Chico Mendes? Chico Mendes e Corrinha? Ou permanecerão três projetos separados?
Não existe, neste momento, resposta definitiva. O que existe são movimentos políticos concretos e declarações públicas que mostram que as peças já estão sendo posicionadas para 2028. A imprensa local já registra, inclusive, discussões sobre possíveis uniões envolvendo Zé Aldemir, Chico Mendes e outras lideranças.
A eleição estadual deste ano poderá funcionar como uma espécie de primeira prestação de contas das forças políticas de Cajazeiras. Os votos obtidos por cada candidato ajudarão a medir capacidade de mobilização, organização e presença territorial, embora não sejam suficientes, isoladamente, para determinar o resultado de uma eleição municipal dois anos depois.
Outro ponto que merece cuidado é a afirmação de que o chamado “preço do voto” para deputado estadual teria passado de cerca de R$ 300 para R$ 1 mil. Esse tipo de informação, se apresentado como fato, exige comprovação documental ou evidências independentes. Sem isso, deve ser tratado apenas como comentário ou percepção existente nos bastidores, e não como dado objetivo sobre compra de votos. A compra de votos, quando comprovada, constitui ilícito eleitoral, e não pode ser normalizada como simples componente de mercado político.
A verdadeira questão para os grupos, portanto, não é apenas quem terá mais votos em 2026. É saber quem conseguirá chegar a 2028 com uma base suficientemente organizada para construir uma candidatura municipal competitiva.
E aí está a fatura que ainda não chegou. A urna de 2026 poderá apresentar os primeiros números, mas a conta política de 2028 será feita com alianças, rejeições, gestão, estrutura, capacidade de articulação e, principalmente, com a capacidade de cada grupo de permanecer unido quando chegar a hora de escolher um único nome.
Em Cajazeiras, a eleição para deputado estadual pode terminar em outubro, mas a disputa pela formação dos grupos de 2028 provavelmente estará apenas começando.
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