ÁGUA QUE GERA DESENVOLVIMENTO

A presença das águas da transposição do Rio São Francisco vem ampliando as possibilidades de desenvolvimento econômico e social no Sertão da Paraíba. Em uma região historicamente castigada pela irregularidade das chuvas, a manutenção de rios com fluxo de água representa não apenas um reforço para a segurança hídrica, mas também uma oportunidade de movimentar o comércio, fortalecer a produção rural e estimular o turismo regional.

Nos municípios e comunidades beneficiados pela disponibilidade hídrica, os reflexos podem ser percebidos em atividades que dependem diretamente da água. Balneários, bares, restaurantes e pequenos empreendimentos instalados às margens dos rios passam a contar com melhores condições para receber visitantes, especialmente nos fins de semana, quando famílias procuram alternativas de lazer em meio às altas temperaturas.

O movimento observado no entorno do açude Engenheiro Avidos, em Cajazeiras, e em estabelecimentos próximos ao Rio Piranhas exemplifica essa relação entre recursos hídricos e atividade econômica. A circulação de visitantes cria oportunidades para a venda de bebidas, peixes, refeições e outros produtos, contribuindo para a renda de comerciantes e trabalhadores locais.

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A dimensão desse benefício fica mais evidente quando se considera a realidade que poderia existir sem a disponibilidade de água. Rios secos e reservatórios com níveis insuficientes comprometeriam o funcionamento de diversos espaços de lazer, reduzindo o fluxo de consumidores e dificultando a manutenção de pequenos negócios. A água, nesse contexto, deixa de ser apenas um recurso destinado ao abastecimento e passa a integrar uma cadeia de atividades econômicas.

Outro exemplo é a barragem da Boa Vista, que, após receber águas das chuvas e da transposição, passou a atrair frequentadores em busca de lazer. A utilização desses espaços demonstra o potencial de integração entre os recursos naturais, o turismo e o comércio, embora a consolidação dessas atividades dependa de infraestrutura, preservação ambiental e condições adequadas de segurança.

No Sertão paraibano, a água representa mais do que abastecimento: ela cria condições para produzir, empreender e movimentar economias locais.

A perspectiva de que as águas alcancem reservatórios estratégicos, como Coremas, Lagoa do Arroz e Capivara, amplia o debate sobre o futuro hídrico regional. A chegada efetiva a esses mananciais, contudo, depende das condições operacionais do sistema, da disponibilidade de água e das regras de distribuição. Caso se concretize, poderá contribuir para ampliar a segurança hídrica e abrir novas possibilidades para a agricultura, a pesca e o turismo.

AGRICULTURA IRRIGADA E O DESAFIO DA PRODUÇÃO

Os efeitos da disponibilidade hídrica também alcançam o campo. Mesmo em períodos de precipitação reduzida, a presença de água nos rios pode oferecer condições para a continuidade de atividades agrícolas que dependem da irrigação, ajudando pequenos produtores a manter suas áreas cultivadas e reduzindo parte das dificuldades impostas pela estiagem.

Nas regiões de Gravatá e Várzea da Ema, assim como em localidades próximas a Santa Helena e São João do Rio do Peixe, o acesso à água constitui um fator relevante para a produção rural. A manutenção do fluxo dos rios pode favorecer o cultivo de alimentos, a dessedentação animal e a permanência de famílias em suas propriedades, desde que a captação seja realizada de forma regular e sustentável.

Esse cenário também exige planejamento. A existência de água em um curso fluvial não significa disponibilidade ilimitada para irrigação. O uso precisa considerar as vazões, as autorizações de captação, as necessidades do abastecimento humano e a preservação dos próprios mananciais. Sem esse equilíbrio, o benefício imediato pode se transformar em pressão adicional sobre os recursos hídricos.

O Rio Patamuté também integra essa dinâmica regional. Suas águas passam pelo açude de Santo Antônio e seguem em direção ao Rio do Peixe, alcançando áreas que se conectam à região de Sousa. Ao longo desse percurso, a disponibilidade hídrica pode beneficiar comunidades rurais, especialmente no abastecimento humano e animal, além de criar condições para iniciativas de produção agrícola em pequena escala.

Outro curso d’água relevante é o Rio Tamanduá, associado ao atendimento de comunidades rurais de São José de Piranhas. A manutenção de seu fluxo representa uma alternativa importante em períodos de estiagem, quando a escassez de chuvas aumenta a dependência de fontes hídricas disponíveis.

O desafio, portanto, não está somente em fazer a água chegar. É necessário assegurar que ela seja distribuída de maneira eficiente, com condições para atender às populações, sustentar a produção e reduzir a vulnerabilidade das comunidades rurais diante das mudanças climáticas e das secas recorrentes.

ENGENHEIRO AVIDOS E A DISCUSSÃO SOBRE A DISTRIBUIÇÃO DA ÁGUA

Em Cajazeiras, o açude Engenheiro Avidos permanece no centro de uma discussão importante: como conciliar a circulação das águas pelos sistemas de transferência com a necessidade de manter um volume de armazenamento capaz de atender às demandas locais?

Há questionamentos sobre o volume disponível no reservatório e sobre a percepção de que parte das águas segue em direção ao açude de São Gonçalo e, posteriormente, ao Rio Grande do Norte. Essa discussão precisa ser acompanhada por dados atualizados de armazenamento, vazão, operação e destinação da água para que seja possível avaliar, com precisão, a situação do manancial e os efeitos da distribuição entre os territórios atendidos.

A transferência de água entre regiões integra a lógica dos sistemas hídricos, mas precisa ser compatibilizada com as necessidades de abastecimento e desenvolvimento das populações beneficiadas. O ponto central é garantir transparência nos critérios operacionais, previsibilidade para os usuários e planejamento capaz de reduzir conflitos entre diferentes demandas.

Um volume maior armazenado no Engenheiro Avidos pode representar melhores condições de segurança hídrica e ampliar as possibilidades de atividades produtivas e de lazer. Entretanto, os resultados dependem também da infraestrutura disponível, da qualidade da água, das condições ambientais e das regras que orientam sua utilização.

A transposição do Rio São Francisco, por si só, não resolve todos os problemas históricos da região. Sua contribuição precisa estar acompanhada de gestão eficiente, monitoramento dos reservatórios, manutenção dos sistemas de distribuição e políticas que permitam transformar a disponibilidade de água em benefícios duradouros para a população.

O FUTURO HÍDRICO DO SERTÃO

O avanço da segurança hídrica abre perspectivas relevantes para o Sertão paraibano. A agricultura irrigada pode ampliar sua capacidade produtiva, o turismo regional pode ganhar novos espaços de visitação e os pequenos empreendedores podem encontrar melhores condições para desenvolver suas atividades. Esses resultados, porém, não são automáticos: dependem de planejamento, investimentos, preservação ambiental e acesso equilibrado aos recursos.

A recuperação dos reservatórios estratégicos e a manutenção dos rios perenizados também exigem acompanhamento técnico e informações públicas atualizadas. Conhecer os volumes armazenados, as vazões liberadas e os municípios efetivamente atendidos é fundamental para medir os resultados da transposição e identificar as necessidades que ainda permanecem sem solução.

O Sertão conhece há décadas os efeitos da escassez de água sobre a produção, o abastecimento e a economia. Por isso, cada avanço na disponibilidade hídrica precisa ser acompanhado de responsabilidade na gestão e de iniciativas capazes de gerar oportunidades para as comunidades urbanas e rurais.

A questão central é fazer com que a água disponível se converta em desenvolvimento sustentável, sem comprometer os reservatórios nem desconsiderar as necessidades de quem depende deles. Mais do que manter rios correndo durante a estiagem, o desafio é assegurar que esse recurso contribua para uma economia regional mais resiliente e para melhores condições de vida da população.

Instagram oficial: @wgleyssondesouza

FONTE/CRÉDITOS: WGLEYSSON DE SOUZA – Jornalista. REG. PROF. FENAJ 4407/PB | API/PB 3072