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A eleição da nova Mesa Diretora da Câmara Municipal de Cachoeira dos Índios, no Sertão da Paraíba, definiu a composição responsável por conduzir os trabalhos legislativos no biênio 2027–2028. A chapa anunciada, formada por integrantes do grupo situacionista, recebeu os votos de todos os vereadores, conforme as informações divulgadas sobre o pleito.
Edcarlos Gomes do Nascimento assumirá a presidência, tendo Erisbergue Moreira Dias como vice-presidente. Francisca Leneide Gonçalves Pereira ocupará a primeira secretaria, enquanto Francisca Luzaneide Bezerra de Sousa ficará com a segunda secretaria.
O resultado revela um acordo político em torno do comando da Casa. Entretanto, a unanimidade, embora legítima quando alcançada dentro das regras regimentais, não encerra o debate sobre o papel que o Legislativo deverá desempenhar nos próximos dois anos.
A verdadeira medida de uma Câmara Municipal não está apenas na capacidade de seus vereadores de chegar a um acordo, mas na disposição de fiscalizar o poder público, inclusive quando isso significa contrariar interesses políticos.
O peso da composição política
Os dados das eleições municipais de 2024 ajudam a compreender o ambiente político do Legislativo cachoeirense. Naquele pleito, oito dos nove vereadores eleitos eram filiados ao MDB, enquanto Ninha conquistou uma cadeira pelo MOBILIZA. Samara foi a mais votada, com 627 votos, seguida por Erisbergue, com 536, e Djalma, com 479. Os números estão disponíveis na cobertura eleitoral do UOL e em bases que organizam os dados do Tribunal Superior Eleitoral.
Essa distribuição mostra uma concentração expressiva de cadeiras em uma única legenda. Não significa, automaticamente, que todos os parlamentares tenham os mesmos interesses, mantenham idênticas relações com o Executivo ou estejam impedidos de divergir.
O prefeito eleito em 2024 foi Alyson Francisco, do PP. A diferença partidária entre o chefe do Executivo e a maioria dos vereadores torna importante examinar as alianças efetivamente estabelecidas, em vez de presumir que a filiação partidária, isoladamente, define quem é oposição ou situação.
A questão central, portanto, não é condenar a formação de uma chapa única. É acompanhar como os compromissos políticos que viabilizaram sua eleição influenciarão o funcionamento da Câmara.
O que a população deve cobrar
A nova Mesa Diretora terá responsabilidades administrativas e regimentais, mas a atuação parlamentar dos vereadores continuará sendo fundamental para a fiscalização municipal.
Isso envolve acompanhar a execução do orçamento, examinar contratos e despesas, cobrar explicações sobre obras públicas, avaliar a prestação de serviços e garantir que as decisões do Legislativo sejam acessíveis à população.
Também será necessário observar como serão conduzidas as sessões, quais requerimentos receberão encaminhamento, como os projetos serão debatidos e de que maneira as demandas dos moradores chegarão ao plenário.
Uma maioria politicamente alinhada pode facilitar a tramitação de propostas. O risco institucional, que precisa ser acompanhado e não presumido, surge quando a busca por consenso reduz o espaço para questionamentos, transparência ou fiscalização independente.
A ata e a transparência do processo
Outro ponto importante é a documentação oficial da eleição. Na consulta realizada, a página institucional da Câmara ainda apresentava uma composição anterior da Mesa Diretora, com Djalma na presidência, Jayme na vice-presidência e Edcarlos e Luzaneide nas secretarias.
Essa divergência entre a informação institucional disponível e a nova composição anunciada precisa ser esclarecida mediante a publicação ou atualização dos registros oficiais. A ata da sessão, o resultado nominal da votação e o ato correspondente são documentos relevantes para confirmar os detalhes do processo.
A ausência de atualização em uma página, por si só, não comprova irregularidade. Ainda assim, a publicidade dos atos administrativos e legislativos é parte essencial da relação entre o poder público e a sociedade.
O teste começa depois da eleição
O novo comando da Câmara terá a oportunidade de demonstrar, na prática, como pretende conduzir os trabalhos legislativos. Isso significa garantir o funcionamento institucional da Casa, respeitar o regimento, dar publicidade às decisões e preservar a função fiscalizadora dos mandatos.
A população não precisa de uma disputa permanente entre vereadores, tampouco de uma unanimidade meramente formal. Precisa de representantes capazes de construir acordos quando necessário e de cobrar respostas quando o interesse público exigir.
A eleição definiu os nomes que deverão conduzir o Legislativo no próximo biênio, conforme o resultado anunciado. O desempenho dessa composição, entretanto, dependerá das decisões, dos atos e da transparência que serão observados ao longo do mandato.
O debate que fica para Cachoeira dos Índios é simples: o consenso em torno da Mesa Diretora será acompanhado por uma atuação parlamentar efetiva, independente e comprometida com a fiscalização da administração pública? A resposta virá do trabalho dos vereadores, e não apenas do placar da votação.
Publicado por:
SERTÃO DA PARAÍBA
🎙️ Jornalista • DRT 4407/PB ⚖️ Acadêmico de Direito 📡 CEO | TV Sertão • Ide Agência 📰 Jornalismo, mídia & comunicação 📍 Paraíba | Brasil
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