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O resultado das eleições de 2026 deixou uma mensagem importante para a política paraibana: ter comandado uma prefeitura não garante, automaticamente, a transferência desse capital eleitoral para uma disputa estadual. Na Região Metropolitana de Cajazeiras, essa realidade ficou especialmente evidente com a derrota de três ex-prefeitos que tentaram chegar à Assembleia Legislativa.
Airton Pires, de São João do Rio do Peixe, Marcos Eron, de Monte Horebe, e Zé Aldemir, de Cajazeiras, colocaram seus nomes na disputa por uma cadeira no Legislativo estadual, mas não conseguiram alcançar a eleição.
Os registros eleitorais confirmam que Marcos Eron e Zé Aldemir disputaram o cargo de deputado estadual nas eleições deste ano.
O TRE-PB, por sua vez, disponibilizou a totalização oficial do pleito estadual e os resultados por município, zona eleitoral e seção.
O caso chama atenção porque os três carregavam trajetórias construídas justamente a partir da política municipal. Em cidades menores, onde a liderança de um ex-prefeito costuma ter peso significativo, a expectativa natural é que uma parcela expressiva dessa votação seja transportada para uma candidatura estadual.
Mas eleição majoritária municipal e eleição proporcional estadual obedecem a lógicas diferentes. O eleitor pode reconhecer a liderança de um ex-prefeito dentro do município e, ainda assim, escolher outro nome quando a disputa passa a envolver representação estadual.
É justamente nesse ponto que o resultado merece ser analisado com mais cuidado. A derrota não significa, necessariamente, desaparecimento político. Também não permite concluir, isoladamente, que os respectivos grupos perderam toda a capacidade de articulação. O que as urnas demonstraram é que, nesta eleição, a força construída no Executivo municipal não foi suficiente para garantir a conversão desse capital em mandato estadual.
O fenômeno não ficou restrito ao Alto Sertão. O pleito paraibano também produziu derrotas expressivas de lideranças com experiência administrativa e eleitoral. No cenário majoritário, por exemplo, Cícero Lucena terminou a disputa pelo Governo da Paraíba em terceiro lugar, com cerca de 11% dos votos válidos, enquanto Lucas Ribeiro foi eleito no primeiro turno.
A própria Justiça Eleitoral confirmou a conclusão da apuração do primeiro turno na Paraíba e disponibilizou os resultados oficiais da votação.
No caso específico de Cajazeiras e municípios próximos, o resultado dos três ex-prefeitos coloca uma questão política que vai além da eleição de 2026: até onde vai a capacidade de uma liderança municipal transformar sua história administrativa em força eleitoral regional?
Essa resposta não será dada apenas pelo número de votos obtidos neste pleito. Ela dependerá da capacidade desses grupos de permanecerem organizados, influenciarem decisões locais, manterem alianças e apresentarem novos projetos políticos.
A derrota nas urnas, portanto, pode representar o encerramento de um ciclo, mas também pode ser apenas uma pausa. Na política, como a própria história eleitoral demonstra, ex-prefeito derrotado hoje não significa necessariamente liderança eliminada amanhã. O que muda é o tamanho do espaço político disponível e, principalmente, a capacidade de reconstruí-lo.
O recado das urnas para a Região Metropolitana de Cajazeiras foi claro: a prefeitura pode construir uma liderança, mas é o eleitor quem decide se essa liderança consegue ultrapassar as fronteiras do município.
Publicado por:
SERTÃO DA PARAÍBA
🎙️ Jornalista • DRT 4407/PB ⚖️ Acadêmico de Direito 📡 CEO | TV Sertão • Ide Agência 📰 Jornalismo, mídia & comunicação 📍 Paraíba | Brasil
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