A política permite divergências, cobranças, críticas duras e até confrontos públicos. O que ela não deveria exigir é que o debate abandone completamente a civilidade.

Um vídeo publicado nas redes sociais pelo vereador Lualas Barrozo, que também ocupa a presidência do Atlético de Cajazeiras, passou a chamar atenção pelo tom utilizado ao se referir ao ex-prefeito Zé Aldemir. A manifestação, marcada por ataques pessoais e palavras de baixo calão, desloca a discussão do campo político para um terreno que merece ser observado com atenção pela sociedade.

Não se trata aqui de discutir se alguém pode criticar Zé Aldemir. Evidentemente pode. Um ex-prefeito, ex-deputado estadual e ex-deputado federal está sujeito ao escrutínio público, às críticas e à avaliação de sua trajetória política. O ponto é outro: até onde pode chegar a linguagem de um agente público quando o adversário político é também uma figura com décadas de atuação na vida pública de Cajazeiras?

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Lualas Barrozo exerce mandato de vereador e, desde maio de 2026, ocupa também a presidência do Atlético de Cajazeiras para o biênio 2026/2027. A informação sobre sua chegada ao comando do clube foi registrada por diferentes veículos locais e também pelo ge.

Essa dupla condição torna o episódio ainda mais relevante para o debate público. O vereador fala como cidadão, como agente político ou como dirigente de uma das instituições esportivas mais tradicionais da cidade? A distinção pode parecer apenas semântica, mas não é.

Quem ocupa uma cadeira no Legislativo representa parcela da população. Quem preside uma instituição esportiva também passa a carregar uma responsabilidade institucional. Por isso, a forma como esse agente se comunica publicamente não interessa apenas aos envolvidos diretamente na disputa.

A democracia não exige concordância. Exige convivência com a discordância.

Zé Aldemir, por sua vez, possui uma trajetória política que atravessa diferentes momentos da história recente de Cajazeiras e da Paraíba. Foi prefeito do município e exerceu mandatos parlamentares antes de retornar à disputa eleitoral de 2026. Sua trajetória, independentemente de avaliações positivas ou negativas sobre suas administrações, não pode ser reduzida a uma discussão de rede social.

É perfeitamente legítimo questionar decisões tomadas durante seus governos, criticar alianças, discordar de posicionamentos eleitorais ou contestar seu desempenho político. Isso faz parte do jogo democrático.

O que merece reflexão é quando a crítica deixa de discutir atos, decisões, posições e resultados e passa a utilizar expressões de baixo calão como instrumento de confronto.

Há uma diferença importante entre contundência e agressão. A primeira fortalece o debate. A segunda tende a empobrecê-lo.

E talvez seja justamente esse o ponto que Cajazeiras precise discutir.

A cidade tem uma longa tradição de disputas políticas intensas. Zé Aldemir conhece esse ambiente há décadas. Seus adversários também. A história política local registra rompimentos, alianças, reencontros, críticas e disputas eleitorais de todos os tipos. Mas a existência de conflitos históricos não transforma a ofensa pessoal em método aceitável de comunicação pública.

Também é preciso separar uma coisa da outra: criticar Zé Aldemir não significa desrespeitar sua história; defender o respeito à sua trajetória também não significa blindá-lo de críticas.

Essa é a maturidade que se espera de uma democracia.

O vídeo pode até ser interpretado politicamente de diferentes maneiras pelos espectadores. Uns verão como desabafo; outros, como estratégia de confronto; outros ainda poderão considerá-lo inadequado para alguém que exerce mandato popular. Essas interpretações pertencem ao debate público.

O fato objetivo, porém, é que a manifestação utilizou uma linguagem que ultrapassa a crítica política convencional e merece ser discutida justamente porque partiu de alguém que ocupa uma função pública.

Cajazeiras não precisa de uma política sem confronto. Precisa de uma política em que o confronto tenha conteúdo.

Porque eleição passa, mandato termina, alianças mudam e adversários de hoje podem até voltar a sentar na mesma mesa amanhã. A internet, entretanto, tem memória própria e transforma palavras ditas em segundos em registros que podem permanecer por anos.

No fim, a questão não é apenas o que um político pensa sobre o seu adversário.

É como ele escolhe dizer isso diante de uma sociedade inteira que está assistindo.

Clique no link a seguir e assista o vídeo do vereador mandando Zé Aldemir tomar no #%*

FONTE/CRÉDITOS: WGLEYSSON DE SOUZA – Jornalista. REG. PROF. FENAJ 4407/PB | API/PB 3072