As denúncias de violência política de gênero registraram um salto expressivo no Brasil, impulsionadas pelo período eleitoral. Dados oficiais do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mostram que os processos judiciais sobre este tipo de crime dispararam 11 vezes entre 2022 e 2024.

Em Pernambuco, uma deputada estadual foi hospitalizada após ser atingida por uma pedrada durante agenda no interior. Já no Espírito Santo, um artefato explosivo foi arremessado contra apoiadores de uma candidata à Câmara.

Outros casos graves incluem ameaças de estupro e exposição de familiares em Minas Gerais. No Rio de Janeiro, o clima de intimidação envolveu ameaças de morte e menções diretas ao assassinato da ex-vereadora Marielle Franco.

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Diante desse cenário hostil, movimentos sociais compilaram os relatos em um documento oficial. O material foi formalmente entregue ao TSE com exigências de respostas mais duras do Estado.

Enfrentamento

Gisele Barbiere, da organização Terra de Direitos, aponta que o combate efetivo exige a punição rigorosa dos culpados para desestimular novas práticas criminosas.

“A impunidade, a falta de respostas para esses casos faz com que esses algozes se sintam mais encorajados a intimidar e violentar as mulheres dessa forma”, reforça.

Estratégias adicionais incluem parcerias com redes sociais e campanhas educativas. O objetivo é ajudar as vítimas a identificarem práticas abusivas durante a disputa eleitoral.

Para Larissa Amorim, do Instituto Marielle Franco, a integridade da democracia brasileira está em risco quando o exercício de mandatos é ameaçado por intimidações.

“Quando você expõe dados pessoais, ou quando você ameaça a família daquela parlamentar ou daquela gestora pública, isso ameaça, inclusive, o direito ao exercício do seu mandato”, pontua.

Mulheres negras

Um levantamento divulgado pelo Instituto Marielle Franco em 2025 revela que 87% das 77 vítimas analisadas entre 2021 e 2025 eram mulheres negras.

“O que a gente vê quando se trata dessa violência de gênero com esse recorte racial é uma violência muito mais perversa”, relata Barbieri sobre ataques focados na aparência.

Especialistas defendem a atualização da lei 14.192/2021 para incluir diretrizes raciais específicas. A medida visa aprimorar a atuação das instituições públicas na proteção de minorias.

“As mulheres negras, as mulheres trans negras, inclusive, são alvo prioritário dessa violência”, conclui Amorim sobre a urgência de reformas legais estruturais.

FONTE/CRÉDITOS: WGLEYSSON DE SOUZA – Jornalista REG. PROF. FENAJ - 4407/PB | API/PB 3072