O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou nesta quarta-feira (3) que o Brasil intensificará a busca por novos parceiros comerciais com o objetivo de reduzir os efeitos negativos decorrentes das recentes políticas tarifárias impostas pelos Estados Unidos. A declaração ocorreu durante uma reunião ministerial no Palácio do Planalto, em resposta ao anúncio de novas taxas sobre produtos brasileiros por parte do governo norte-americano.

Diante da decisão dos EUA, Lula declarou: “Nós vamos procurar outros parceiros. Se ele não quer comprar, a gente vai vender para quem quiser comprar. Não vamos ficar reclamando. Se não quiser investir aqui, nós vamos procurar outro. O Brasil é dono do seu nariz. Isso aqui é um país democrático e soberano”.

O presidente enfatizou uma mudança na abordagem diplomática do Brasil: “Nós resolvemos não adotar mais a política do vira-lata diante das grandes potências. Nós não somos melhores do que ninguém, mas não somos piores. Vamos respeitar todo mundo, mas queremos respeito”.

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A ação dos EUA, sugerida pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) na segunda-feira (1º), propõe uma taxação de 25% sobre parte das importações brasileiras. Essa medida é fruto de uma investigação iniciada durante a administração de Donald Trump, que alegou “práticas desleais” por parte do Brasil no comércio bilateral.

Entre as justificativas apresentadas, o USTR alega que o Pix, sistema de pagamentos instantâneos brasileiro, prejudica empresas americanas de serviços de pagamento, como a MasterCard, Visa e o Whatsapp Pay.

Em consequência, Lula confirmou sua participação na reunião do G7, na França, em junho, evento que não estava originalmente em sua agenda. O Brasil foi convidado pelo presidente francês, Emmanuel Macron, para participar do encontro que reúne líderes de Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Itália, Japão e Reino Unido.

“Eu nem ia no G7, agora eu vou. É preciso alguém tentar colocar ordem na casa e parar essa coisa de desmonte do multilateralismo, da democracia e desvalorização das instituições. Se a ONU não está funcionando hoje, não é destruindo a ONU que a gente vai consertar o mundo, é reconstruindo a ONU”, afirmou Lula, reiterando seu compromisso com o fortalecimento das Nações Unidas e a reforma do Conselho de Segurança.

Negociações em risco

Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), a nova política tarifária dos EUA afeta diretamente 21% das exportações brasileiras para o mercado norte-americano.

O governo brasileiro e as empresas impactadas têm até 15 de julho para apresentar contestações ao relatório final do USTR, antes que os EUA possam implementar “medidas corretivas”.

Lula considerou a atitude dos EUA como “insensata”, especialmente porque negociações estavam em andamento. Ele relembrou um acordo feito em maio com o então presidente Donald Trump, que estabeleceu um prazo de 30 dias para a resolução da disputa comercial.

Durante a reunião na Casa Branca, Lula apresentou dados que demonstravam um superávit comercial favorável aos EUA de US$ 415 bilhões nos últimos 15 anos.

“Eu saí de lá convencido de que a gente estava estabelecendo uma nova lógica no relacionamento democrático e civilizado entre Brasil e Estados Unidos. E confesso a vocês que fui pego de surpresa ontem com a decisão deles”, concluiu o presidente.

FONTE/CRÉDITOS: WGLEYSSON DE SOUZA – Jornalista REG. PROF. FENAJ - 4407/PB | API/PB 3072