O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta terça-feira (14) que o Congresso Nacional apresente, em até 30 dias, justificativas sobre a destinação de emendas parlamentares. A medida visa combater a chamada “terceirização de emendas” e garantir a transparência no uso do orçamento público.

Esta nova ofensiva jurídica acontece logo após o magistrado ordenar o bloqueio de R$ 119 milhões em ativos de Valdemar Costa Neto, presidente do PL, e R$ 6 milhões pertencentes ao ex-deputado Eduardo Cunha.

A investigação aponta que políticos sem mandato estariam exercendo influência direta na alocação de recursos federais. Segundo Dino, tal conduta representa um vício jurídico grave, ferindo preceitos fundamentais como a moralidade, a legalidade e a finalidade administrativa.

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Em seu despacho, o ministro enfatizou que é inaceitável a existência de cotas orçamentárias informais geridas por ex-parlamentares. Ele classificou como anômala a prática de indivíduos sem cargo público transmitirem ordens diretas a funcionários do Poder Legislativo.

Fiscalização na área da saúde

Dino também fundamentou sua decisão em auditorias realizadas pelo DenaSUS e pela Controladoria-Geral da União (CGU). Os relatórios indicam falhas na aplicação de verbas destinadas à saúde pública, especialmente em gastos de custeio.

Diante disso, foram intimados a prestar esclarecimentos o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, além das presidências do Conass e do Conasems. O foco é entender como emendas temporárias estão sendo utilizadas para cobrir despesas operacionais nos municípios e estados.

A Advocacia-Geral da União (AGU) também foi acionada para detalhar, no mesmo prazo de um mês, as ações de responsabilização contra os envolvidos nas irregularidades detectadas pela CGU.

Combate ao orçamento secreto

Atualmente, Flávio Dino relata uma Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) focada na rastreabilidade dos recursos públicos. A ação busca assegurar que a distribuição de verbas siga os critérios de publicidade exigidos pela Constituição.

Desde o ano de 2022, o STF tem implementado medidas rigorosas para extinguir o "orçamento secreto". Essa prática permitia a liberação de grandes somas sem que houvesse a identificação clara do parlamentar solicitante ou do destino final do dinheiro.

Embora as emendas parlamentares sejam um direito constitucional de deputados e senadores para intervir no Orçamento da União, o Judiciário reforça que essa prerrogativa não pode ocorrer à margem da fiscalização e do controle social.

FONTE/CRÉDITOS: WGLEYSSON DE SOUZA – Jornalista REG. PROF. FENAJ - 4407/PB | API/PB 3072