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A violência política no Brasil tem afetado de forma desproporcional as mulheres durante o período de campanha eleitoral. Conforme dados divulgados pelas organizações Terra de Direitos e Justiça Global, foram contabilizados 134 episódios de hostilidade até o primeiro turno das eleições.
Desse total global mapeado ao longo de 50 dias de disputas, 70 ocorrências tiveram mulheres como principais alvos, o que representa cerca de 52,2% dos casos registrados oficialmente.
A situação evidencia um cenário preocupante para a representatividade feminina. Embora representem aproximadamente um terço das candidaturas, elas lideram as estatísticas de intimidação e agressões.
Impacto na democracia
Para Gisele Barbieri, coordenadora da Terra de Direitos, essa dinâmica de hostilidade desqualifica candidatas e fragiliza as instituições democráticas do país.
O ambiente virtual tem sido um terreno fértil para ataques sistemáticos. Contudo, a maior parte das ocorrências físicas ainda se concentra nas ruas, somando 71 episódios.
Especialistas reforçam a urgência de uma força-tarefa estatal capaz de oferecer respostas rápidas e punições pedagógicas para coibir tais práticas abusivas.
Subnotificação e perfil das agressões
O volume de 134 casos pode estar subestimado devido ao receio de denúncia. Muitas vítimas evitam buscar ajuda policial por medo de exposições ainda maiores.
As ameaças lideram as estatísticas, seguidas por ofensas verbais e agressões físicas. O levantamento também aponta que o machismo e a misoginia estiveram presentes em grande parte dos ataques contra mulheres.
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