O município de Cabedelo, localizado na Região Metropolitana de João Pessoa, consolidou-se como um dos epicentros de instabilidade na Política da Paraíba. Nos Bastidores do Poder, a análise estrutural da cidade revela um cenário crítico que se arrasta por quase cinco décadas, marcado por uma sucessão de gestores afastados, cassações e operações policiais que corroem a governabilidade municipal. Sob a ótica analítica de Wgleysson de Souza, o histórico de irregularidades não é um fenômeno episódico, mas o reflexo de um ciclo crônico de falhas na administração pública e de forte enraizamento de práticas clientelistas.

A gênese dessa instabilidade institucional teve um de seus marcos no ano de 1980, durante a gestão do então prefeito Francisco Figueiredo de Lima. A doação injustificada de um terreno avaliado em mais de 10 milhões para aliados políticos chamou a atenção do Tribunal de Contas, culminando em uma intervenção estadual decretada pelo governador da época, Buriti, que resultou na posse de Sebastião Plácido. Esse evento inaugurou um grave padrão de quebras na continuidade do Executivo, dilapidando os recursos do município ao longo do tempo.

Na história recente, a crise institucional ganhou contornos ainda mais severos com a ascensão e queda de sucessivos gestores. O então prefeito Luceninha não suportou a pressão administrativa e renunciou ao cargo sob os rumores de ter negociado seu mandato por aproximadamente 2 milhões, cedendo o lugar a Leto Viana. Reeleito em 2016, Viana tornou-se o alvo central da chamada "Operação Cheque Mate", fato que o forçou a renunciar na tentativa frustrada de evitar a cassação, culminando em sua prisão. A vacância no poder abriu caminho para o presidente da Câmara, Vitor Hugo, que assumiu a prefeitura após contornar a linha sucessória legislativa, conseguiu se reeleger e indicou André Coutinho como seu sucessor.

Publicidade
Publicidade

Leia Também:

O xadrez político de Cabedelo, contudo, continuou a registrar sérios reveses judiciais até o atual panorama de 2025 e 2026. André Coutinho foi alvo da "Operação Ambaçã" e teve seu mandato cassado em 2025, forçando o Legislativo a assumir novamente a gestão da cidade. O presidente da Câmara, Eduardo Neto (também referido como Edvaldo Neto), tomou posse, mas sua ascensão foi rapidamente interrompida pela deflagração da "Operação Cítrico" em 2026, resultando em seu imediato afastamento. Com a máquina pública asfixiada por escândalos e substituições judiciais, a recente posse do atual presidente da Câmara, José Pereira, no Executivo representa mais um sintoma de uma prefeitura submetida a um estado perene de provisoriedade.

Diante desse cenário conturbado, a sucessão de quebras de mandato e trocas de poder levanta um alerta crucial sobre o impacto do clientelismo na estrutura administrativa local. A governabilidade de Cabedelo permanece refém de um sistema desgastado, ressaltando a necessidade de maior rigor institucional e da superação de práticas que, historicamente, têm comprometido a estabilidade política e o desenvolvimento do município.

FONTE/CRÉDITOS: WGLEYSSON DE SOUZA – Jornalista. REG. PROF. FENAJ - 4407/PB | API/PB 3072.