Na política de Cajazeiras, anúncios públicos raramente significam ponto final. Muitas vezes, são apenas vírgulas bem calculadas. A recente reunião do deputado estadual Chico Mendes com os vereadores Alyson Voz e Violão e Lamarque Barros surge exatamente nesse contexto: dias depois de ambos os parlamentares municipais anunciarem alinhamento político com a prefeita Corrinha Delfino, o diálogo foi retomado longe dos holofotes.

O encontro, classificado oficialmente como “institucional” e “voltado ao desenvolvimento do município”, carrega um simbolismo maior do que o discurso protocolar sugere. Em Cajazeiras, ninguém senta à mesa apenas para trocar gentilezas. Conversa política, sobretudo em ano pré-eleitoral, é sempre sobre espaço, sobrevivência e projeção.

Ao reunir aliados históricos em sua residência, Chico Mendes sinaliza que continua sendo peça ativa no tabuleiro local, mesmo diante de rearranjos recentes no cenário municipal. Já os vereadores deixam claro que apoio declarado não significa isolamento político. Pelo contrário: manter canais abertos com diferentes polos de poder é prática recorrente de quem entende o ritmo da política sertaneja.

Publicidade
Publicidade

Leia Também:

O pano de fundo da reunião, com referências ao Governo do Estado e às ações lideradas por João Azevêdo e Lucas Ribeiro, reforça que Cajazeiras continua sendo território disputado, observado e cortejado por diversas forças. O discurso do desenvolvimento regional funciona, nesse contexto, como linguagem comum que permite a convivência de interesses distintos sem atritos imediatos.

No fim das contas, o episódio ensina uma lição antiga, mas sempre atual: na política cajazeirense, declarações públicas organizam a plateia; os encontros reservados organizam o poder. Quem confunde uma coisa com a outra costuma chegar atrasado ao próximo movimento.

FONTE/CRÉDITOS: TV PORTAL SERTÃO