A administração municipal de Santa Helena transformou-se em um laboratório a céu aberto de como a retórica e o marketing são utilizados para tentar encobrir a ineficiência gerencial. O recente embate entre o prefeito João Cléber e a Câmara Municipal evidencia um modus operandi preocupante: diante de falhas estruturais expostas pela oposição, o chefe do Executivo abandona o decoro institucional, foge de suas responsabilidades e utiliza os microfones das emissoras de rádio para atacar quem ousa fiscalizar.

O ponto mais sensível dessa crise de credibilidade reside no planejamento orçamentário. No plenário, o vereador Rogério Leite foi cirúrgico ao questionar como a prefeitura exige uma suplementação de crédito especial apenas 90 dias após a aprovação da Lei Orçamentária Anual (LOA). Em vez de explicar o grave erro de previsão técnica, o prefeito partiu para a agressão gratuita, chamando a atitude dos parlamentares de "idiota" e acusando-os de quererem devolver dinheiro à Brasília. A narrativa de desespero, no entanto, caiu por terra pela própria boca do gestor: após dramatizar que o recurso estava "perdido", João Cléber confessou na mesma entrevista que reenviará o projeto e já tem a "certeza de cinco votos", provando que o alarde não passava de chantagem política.

Na Saúde, o abismo entre a propaganda e a realidade das unidades básicas é alarmante. O vereador Valdivan Abrantes denunciou uma situação calamitosa: falta o básico para salvar vidas, desde soro e medicamentos até a realização de exames. Ignorando solenemente o sofrimento diário da população, o prefeito preferiu focar seu discurso na compra de ar-condicionados e freezers, acusando a oposição de "tirar a vacina" de crianças e idosos. A tática é clara: tentar isolar os vereadores como inimigos públicos através da compra de equipamentos, enquanto silencia sobre o colapso no atendimento essencial que afeta o cidadão mais vulnerável.

Publicidade
Publicidade

Leia Também:

A fuga de responsabilidade repete-se na crise hídrica. Após um Carnaval de torneiras vazias e baldes d'água na cabeça da população — cenário muito distante dos vídeos institucionais onde o prefeito afirmava que "carro-pipa é coisa do passado" —, o gestor admitiu o problema, mas lavou as mãos, transferindo a culpa integralmente para a CAGEPA e a Energisa. Para tentar maquiar a inércia, usou o espaço para anunciar uma obra de R$ 5 milhões, omitindo estrategicamente que a estrutura ainda depende de outros R$ 2 milhões em tubulações para, de fato, resolver a escassez.

O desrespeito ao Legislativo atingiu seu ápice no distrito de Várzea da Ema. Cobrado para construir uma creche, o prefeito sugeriu, em tom de deboche, que o próprio vereador Valdivan Abrantes doasse um terreno escriturado para a obra. Pressionado pela repercussão negativa de sua atitude humilhante, João Cléber usou a rádio para lançar uma cortina de fumaça, anunciando a revitalização de um canal de R$ 25 milhões. Em vez de assumir o ônus de sua própria desorganização administrativa, o Executivo transforma a falta de soro, as torneiras secas e o orçamento deficitário em um palanque de ataques ao Legislativo, governando através do marketing de ilusão. O cidadão não mora na propaganda. Ao expor a verdade com embasamento técnico e não recuar diante de ultimatos ou ofensas proferidas no rádio, os vereadores de oposição garantem credibilidade ao seu mandato e reafirmam que o Legislativo de Santa Helena não será um mero anexo do gabinete do prefeito.

FONTE/CRÉDITOS: WGLEYSSON DE SOUZA – Jornalista. REG. PROF. FENAJ - 4407/PB | API/PB 3072.