O julgamento de três policiais militares acusados de envolvimento na morte do empresário e delator Vinicius Gritzbach teve início nesta quarta-feira (22) no Fórum Criminal de Guarulhos, sob rigoroso esquema de segurança. Gritzbach, que possuía delações premiadas contra o PCC e acusava policiais de corrupção, foi assassinado em novembro de 2024 no Aeroporto de Guarulhos. O caso envolve também a morte de um motorista de aplicativo e o ferimento de outras duas pessoas no mesmo incidente.

O processo terá a participação de sete jurados, selecionados entre a população, que decidirão sobre a culpa ou inocência dos réus. A expectativa é que o júri popular se estenda por aproximadamente cinco dias, com a suspensão das demais audiências no fórum durante o período e a criação de uma área de segurança ao redor do prédio.

O juiz Rodrigo Tellini de Aguirre Camargo, conhecido por atuar no julgamento do Massacre do Carandiru, conduzirá o julgamento dos policiais militares Fernando Genauro da Silva, Denis Antônio Martins e Ruan Silva Rodrigues, todos presos e acusados também pela morte do motorista de aplicativo Celso Novais e pelo ferimento de duas pessoas atingidas por estilhaços.

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Defesa alega manipulação e inocência dos réus

Os advogados dos policiais militares negam veementemente o envolvimento de seus clientes no crime. Segundo a defesa, os réus são inocentes e não estavam no local do assassinato de Gritzbach. Eles acusam a Polícia Civil de ter orquestrado uma 'manipulação' e uma 'acusação dirigida' para incriminar os policiais.

O advogado Cláudio Dalledone afirmou que a defesa irá 'desmascarar essa opinião publicada' e apresentar duas hipóteses plausíveis, incluindo a de que a 'banda podre da Polícia Civil' tinha interesse e motivação para assassinar Gritzbach, com base em provas documentais, materiais e testemunhais.

Mauro Ribeiro, defensor de Genauro, declarou que comprovará que os réus não estavam em Guarulhos no dia do crime e não possuem qualquer ligação com os supostos mandantes ou policiais civis delatados. Ele reforçou que a acusação foi construída para acobertar os verdadeiros responsáveis pelo crime.

Renan Canto, outro advogado de defesa, comparou a situação ao caso Marielle Franco, no Rio de Janeiro, sugerindo que a Polícia Civil estaria manipulando acusações contra inocentes. Ele ressaltou que os três policiais não possuem antecedentes criminais e nunca responderam a processos anteriores.

O júri popular e o inquérito

O júri popular é um órgão constitucional encarregado de julgar crimes dolosos contra a vida. A seleção dos jurados é o primeiro passo, seguida pela oitiva de 21 testemunhas arroladas pela acusação e defesa. Posteriormente, os réus serão interrogados, e após os debates entre acusação e defesa, os jurados deliberarão sobre a condenação ou absolvição dos policiais.

A investigação da Polícia Civil, concluída em março do ano passado, indiciou seis pessoas, incluindo líderes do PCC e os três policiais militares. O inquérito apontou vingança e a motivação de Gritzbach ter ordenado mortes de aliados do PCC como causas do crime. Dois líderes do PCC e um informante foram incluídos no processo, mas enfrentam etapas distintas de julgamento.

FONTE/CRÉDITOS: WGLEYSSON DE SOUZA – Jornalista REG. PROF. FENAJ - 4407/PB | API/PB 3072