Espaço para comunicar erros nesta postagem
Ainda faltam dois anos para as eleições municipais de 2028, mas o jogo da sucessão já começou em diversas cidades do Sertão paraibano. Prefeitos tentam preservar seus grupos, oposicionistas procuram espaço e nomes começam a ser apresentados como herdeiros naturais de estruturas políticas construídas dentro das prefeituras.
O cenário favorece vários grupos governistas, mas favoritismo antecipado não pode ser confundido com vitória garantida. Também não significa, necessariamente, aprovação administrativa. Em municípios pequenos, o domínio da máquina pública, a pulverização da oposição e a dependência política de lideranças locais podem produzir a aparência de uma eleição resolvida muito antes do voto.
Em Uiraúna, a prefeita Leninha Romão trabalha para manter a sucessão dentro do próprio grupo, com o nome de Aninha Romão ocupando posição central nas articulações. A movimentação demonstra organização antecipada e capacidade de condução política, mas também abre um debate inevitável sobre a permanência do poder dentro de um mesmo núcleo familiar.
O sobrenome pode facilitar a transferência de estrutura, alianças e reconhecimento eleitoral, mas não substitui projeto administrativo. Aninha terá de demonstrar que possui identidade política própria e capacidade para administrar Uiraúna, caso sua candidatura seja confirmada.
A tentativa de apresentar uma sucessora com tanta antecedência também poderá estimular a reorganização dos adversários. Uma oposição atualmente enfraquecida pode encontrar no discurso de concentração familiar do poder um elemento para tentar mobilizar o eleitorado.
Em Bernardino Batista, o prefeito Aldo Andrade aparece como principal condutor do processo sucessório. A oposição local perdeu espaço e ainda não apresentou uma liderança capaz de ameaçar, com clareza, a continuidade do grupo governista.
O maior conflito, portanto, pode não acontecer entre governo e oposição, mas dentro da própria base. O cenário afunila-se entre o vice-prefeito Mateus e a vereadora Solange, dois nomes que buscam ocupar a posição de candidato apoiado por Aldo.
Essa disputa exige habilidade do prefeito. Escolher um nome significa, quase sempre, frustrar o outro. Se a definição não for conduzida com diálogo e antecedência, o mesmo grupo que hoje parece dominante poderá chegar dividido à eleição.
Aldo conseguiu neutralizar politicamente seus adversários, mas ainda precisa administrar as ambições existentes ao seu redor. Em política, uma oposição fraca não elimina o risco de derrota quando o conflito passa a nascer dentro do próprio governo.
Em Poço de José de Moura, a prefeita Laís Raquel desponta como forte liderança diante de uma oposição fragmentada. A ausência de unidade entre os adversários amplia sua vantagem e permite que o grupo governista controle a agenda política local.
Falar em favoritismo absoluto, entretanto, seria precipitado. O cenário eleitoral dependerá dos resultados concretos da administração, das alianças construídas até 2028 e da capacidade da oposição de superar disputas internas. Quem governa com vantagem precisa transformar força política em entregas, porque hegemonia sem resultado pode se desgastar rapidamente.
Bom Jesus vive um momento diferente. A gestão da prefeita Denise Bayma atravessa uma fase de fortalecimento popular, impulsionada por obras, ações administrativas e conquistas apresentadas ao município. A percepção positiva amplia sua base e reduz, neste momento, o espaço dos adversários.
Denise demonstra presença, capacidade de articulação e comunicação frequente das ações do governo. Esse conjunto ajuda a transformar resultados administrativos em capital político, algo que nem todos os gestores da região conseguem fazer.
O bom momento, contudo, também aumenta a cobrança. Quanto maior a aprovação, maior a responsabilidade de preservar ritmo, transparência e proximidade com a população. Uma gestão fortalecida não pode permitir que o conforto político produza acomodação.
Em São José de Piranhas, o grupo governista mantém estabilidade e trabalha com o nome de Ramon Brasil dentro de um ambiente aparentemente favorável. O controle político atual oferece vantagem, mas a sucessão dependerá da capacidade de transformar apoio de lideranças em votos efetivos.
Cachoeira dos Índios também apresenta um quadro de estabilidade governista e baixa mobilização visível da oposição. Esse domínio, porém, não deve impedir uma análise sobre os resultados administrativos. Uma eleição não pode ser reduzida à pergunta sobre quem possui mais vereadores, cargos ou apoios, mas precisa avaliar o que cada grupo entregou à população.
É em Monte Horebe que surge o contraste mais incômodo. Embora o grupo governista mantenha favoritismo político, a prefeita Milena Nogueira enfrenta críticas por uma presença pública considerada limitada e por não demonstrar o mesmo ritmo de comunicação e exposição administrativa do ex-prefeito Marcos Eron.
Durante sua gestão, Marcos Eron mantinha presença constante na mídia, divulgava ações e ocupava o debate regional. Milena, por outro lado, transmite a percepção de distanciamento e pouca participação no noticiário político e administrativo.
Estar menos presente na mídia não prova, por si só, ausência de trabalho. Entretanto, em uma administração pública, comunicar ações, prestar contas e manter diálogo com a população também fazem parte do dever político de governar.
Se existem obras, serviços e resultados, a gestão precisa apresentá-los. Se não existem entregas suficientes, o silêncio deixa de ser uma escolha de comunicação e passa a alimentar dúvidas sobre o desempenho do governo.
Em política, oposição fraca pode garantir tranquilidade temporária, mas não transforma silêncio em gestão, sobrenome em competência nem controle da máquina em aprovação popular.
A comparação com Marcos Eron não exige que Milena copie o estilo do antecessor. Exige, porém, que apresente sua própria marca, assuma o protagonismo do cargo e demonstre quais resultados pretende deixar para Monte Horebe.
O giro pelo Sertão revela governos confortáveis e oposições enfraquecidas, mas também expõe um risco comum: a crença de que a sucessão já está decidida. Uiraúna discute continuidade familiar; Bernardino Batista enfrenta uma disputa interna; Poço de José de Moura e São José de Piranhas convivem com favoritismo governista; Bom Jesus registra fortalecimento administrativo; e Monte Horebe cobra uma prefeita mais presente.
As urnas de 2028 ainda estão distantes. Até lá, os grupos que hoje parecem imbatíveis terão de provar que sua força não existe apenas nos bastidores, nos cargos e nas alianças, mas também na avaliação da população.
Publicado por:
SERTÃO DA PARAÍBA
🎙️ Jornalista • DRT 4407/PB ⚖️ Acadêmico de Direito 📡 CEO | TV Sertão • Ide Agência 📰 Jornalismo, mídia & comunicação 📍 Paraíba | Brasil
Saiba Mais/Dê sua opinião
Qual o seu nível de satisfação em relação ao serviço público prestado?
Para participar desta enquete, realize o login em sua conta!
Login Cadastre-seNossas notícias
no celular

PORTAL SERTÃO DA PARAÍBA