A Dívida Pública Federal (DPF) ultrapassou a marca de R$ 9 trilhões em maio, registrando um aumento de 2,66% em relação ao mês anterior, conforme dados divulgados pelo Tesouro Nacional. A expansão foi impulsionada significativamente pela emissão de títulos atrelados à Taxa Selic, a taxa básica de juros da economia brasileira.

Em maio, o estoque da DPF atingiu R$ 9,033 trilhões, um crescimento em relação aos R$ 8,798 trilhões apurados em abril. Apesar da elevação, o montante se encontra dentro das projeções estabelecidas pelo Plano Anual de Financiamento (PAF), que prevê que o endividamento público federal feche 2026 em um intervalo entre R$ 9,7 trilhões e R$ 10,3 trilhões.

Dívida Mobiliária Interna Aumenta

A Dívida Pública Mobiliária Interna (DPMFi), composta por títulos emitidos no país, registrou uma alta de 2,72%, passando de R$ 8,462 trilhões em abril para R$ 8,692 trilhões em maio. Esse acréscimo deve-se principalmente à emissão líquida de R$ 135,61 bilhões em títulos, com destaque para os papéis vinculados à Selic, além da apropriação de R$ 94,17 bilhões em juros.

Publicidade
Publicidade

Leia Também:

A apropriação de juros é o mecanismo pelo qual o governo reconhece e incorpora mensalmente a correção dos juros aos títulos, impactando diretamente o estoque da dívida. Com a Taxa Selic em 14,25% ao ano, esse processo exerce pressão sobre o endividamento governamental.

Em maio, o Tesouro Nacional realizou a emissão recorde de R$ 166,23 bilhões em títulos da DPMFi. Esse volume foi motivado, em grande parte, pela substituição de títulos com vencimento em março e pela demanda de investidores no período.

Os resgates de títulos em maio somaram R$ 30,62 bilhões, um valor considerado baixo para os padrões do Tesouro, refletindo a concentração menor de vencimentos no segundo mês de cada trimestre.

Endividamento Externo Cresce Moderadamente

A Dívida Pública Federal externa (DPFe) apresentou um aumento de 1,28%, elevando-se de R$ 335,88 bilhões em abril para R$ 340,49 bilhões em maio. A valorização de 1,37% do dólar no período foi o principal fator por trás dessa expansão.

Reserva Financeira Aumenta

Após registrar quedas nos meses anteriores, a reserva financeira da dívida pública, também conhecida como "colchão da dívida", cresceu para R$ 1,211 trilhão em maio, o maior patamar desde novembro de 2025. Esse aumento é atribuído às emissões de títulos que superaram os resgates no mês.

Atualmente, essa reserva é suficiente para cobrir 9,14 meses de vencimentos da dívida pública. Nos próximos 12 meses, projeta-se o vencimento de R$ 1,804 trilhão em títulos federais.

Composição da Dívida Pública

A emissão expressiva de títulos atrelados à Selic alterou a composição da DPF entre abril e maio:

  • Títulos vinculados à Selic: Aumentaram de 48,59% para 48,99%.
  • Títulos corrigidos pela inflação: Recuaram de 26,76% para 26,26%.
  • Títulos prefixados: Subiram de 20,85% para 21%.
  • Títulos vinculados ao câmbio: Diminuíram de 3,8% para 3,75%.

O Plano Anual de Financiamento (PAF) estima que, ao final do ano, a composição será:

  • Títulos vinculados à Selic: 46% a 50%.
  • Títulos corrigidos pela inflação: 23% a 27%.
  • Títulos prefixados: 21% a 25%.
  • Títulos vinculados ao câmbio: 3% a 7%.

Tradicionalmente, títulos prefixados oferecem maior previsibilidade devido às taxas definidas antecipadamente. Contudo, em cenários de instabilidade financeira, sua emissão tende a diminuir em função de altas taxas de juros exigidas pelos investidores.

Por outro lado, os títulos vinculados à Selic têm atraído investidores devido às elevadas taxas de juros estabelecidas pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central. A dívida cambial é formada por títulos da dívida interna indexados ao dólar e pela dívida externa.

Prazo Médio da Dívida Diminui

O prazo médio da Dívida Pública Federal encurtou de 4,12 para 4,07 anos. Esse indicador representa o tempo médio para o governo refinanciar seus débitos. Prazos mais longos geralmente sinalizam maior confiança dos investidores na capacidade de pagamento do governo.

Composição dos Detentores da Dívida Interna

A distribuição dos detentores da Dívida Pública Federal interna em maio foi a seguinte:

  • Instituições financeiras: 31,54% do estoque.
  • Fundos de pensão: 22,92%.
  • Fundos de investimentos: 21,74%.
  • Não-residentes (estrangeiros): 10,14%.
  • Demais grupos: 13,67%.

A participação de investidores estrangeiros na dívida interna diminuiu ligeiramente em maio, caindo de 10,38% para 10,14%, em parte devido à maior tensão nos mercados globais, influenciada pelo conflito no Oriente Médio. Uma maior fatia de estrangeiros na dívida interna é usualmente interpretada como um indicador de confiança na economia brasileira.

A dívida pública é o mecanismo pelo qual o governo capta recursos de investidores para honrar seus compromissos financeiros, comprometendo-se a devolver os valores acrescidos de correção, que pode ser atrelada à Taxa Selic, à inflação, ao dólar, ou ser prefixada.

FONTE/CRÉDITOS: WGLEYSSON DE SOUZA – Jornalista REG. PROF. FENAJ - 4407/PB | API/PB 3072