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O pragmatismo na Política da Paraíba ganha contornos evidentes quando a articulação de bastidor substitui a apresentação de projetos estruturantes. Na busca por uma vaga na Assembleia Legislativa (ALPB), o ex-prefeito e ainda chefe de gabinete de Monte Horebe, Marcos Eron, expõe uma engrenagem clássica da sobrevivência eleitoral: o loteamento de bases. Com a iminente ida do deputado estadual Taciano Diniz para o Tribunal de Contas do Estado (TCE), Eron posiciona-se não apenas como um construtor de redutos, mas como um herdeiro político direto do espólio deixado por seu aliado.
Durante recente exposição pública, o próprio pré-candidato admitiu ter sido contemplado na divisão das bases de Taciano, tratando a transferência de apoios regionais como um movimento "natural". Contudo, a transparência dessa manobra esbarra em um silêncio sintomático. Ao ser questionado de forma direta se estaria com "medo" de divulgar os nomes dos novos prefeitos e vereadores herdados, Eron justificou a sua omissão como mera "cautela". Esse recuo estratégico nos Bastidores do Poder sugere uma fragilidade latente: o receio de que os acordos firmados na cúpula não se sustentem nos municípios, ou que a divulgação precipitada afugente alianças que ainda são altamente instáveis e dependentes de negociações futuras.
A lógica de preencher vazios de poder, em vez de liderar pautas próprias, repete-se na articulação do ex-gestor na cidade de Cajazeiras. Ao justificar sua dobradinha com o empresário Silouca — pré-candidato a deputado federal —, Eron é excessivamente pragmático ao afirmar que "na política não tem espaço aberto" e que sua chapa visa preencher uma "vacância" de representatividade local criada pelas recentes fissuras e escolhas do grupo político do prefeito da cidade. A narrativa desnuda uma campanha pautada, em grande parte, pelo oportunismo territorial: aproveita-se as rachaduras, as saídas para o TCE e as dissidências de terceiros para tentar viabilizar um projeto que carece de uma identidade legislativa autônoma.
*A manobra de herdar redutos eleitorais e omitir os nomes sob a justificativa de cautela evidencia que a musculatura política de Marcos Eron ainda depende substancialmente do endosso de terceiros e do loteamento de bases, não de um peso eleitoral próprio.* Sob a análise técnica chancelada por Wgleysson de Souza, a consolidação de uma candidatura a deputado estadual exige a coragem de apresentar seus aliados à luz do dia. Resta saber se o eleitorado validará um projeto que se sustenta na ocupação de vácuos alheios e que se recusa a largar a caneta da prefeitura de Monte Horebe até o último dia do prazo de desincompatibilização, utilizando a máquina que um dia comandou como porto seguro para a sua aventura estadual.
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