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A 30ª edição da Parada do Orgulho LGBT+ de São Paulo reuniu uma multidão na Avenida Paulista neste domingo (7), com um forte alerta sobre a relevância do voto. O evento, que celebra três décadas de história, tem como tema "A rua convoca, a urna confirma", promovendo um debate crucial sobre a participação democrática e a consolidação dos direitos da comunidade LGBT+.
A primeira manifestação ocorreu em 1996, na Praça Roosevelt, e desde 1997 a Avenida Paulista se tornou o palco fixo para discussões de pautas fundamentais. Temas como o reconhecimento da união estável, o direito à identidade de gênero, a adoção por casais homoafetivos e a criminalização da LGBTfobia foram historicamente abordados, demonstrando a evolução das lutas.
Matheus Emílio Pereira da Silva, diretor da Associação da Parada do Orgulho LGBT de São Paulo (APOLGBT-SP), ressaltou a importância histórica do evento. "Todos os direitos que hoje temos da população LGBT+ passaram aqui pela Avenida Paulista", afirmou.
Silva relembrou conquistas impulsionadas pela Parada, como o direito à união estável, reconhecido pelo STF em 2011, e a criminalização da LGBTfobia, equiparada ao racismo pelo STF após discussão iniciada em 2006. "Todos esses foram temas que, antes de estarem nos tribunais, passaram pela Avenida Paulista. Isso mostra a importância da Parada de São Paulo nessas três décadas de lutas", enfatizou.
Apesar das vitórias, o diretor da Parada SP alertou para a necessidade de avanços no Legislativo. "A gente precisa ainda de um compromisso do nosso Legislativo para assegurar esses direitos na letra da lei – e não apenas com decisões judiciais como nós temos atualmente", disse.
Por isso, a edição deste ano foca nas eleições. "É importante a gente falar sobre isso para conscientizar a nossa população, em especial as pessoas LGBT+, para que elejam e para que votem em pessoas comprometidas com os direitos da população LGBT e com a sociedade como um todo", declarou Silva.
Menos patrocínio impacta a organização
A Parada deste ano contou com 14 trios elétricos, um número menor devido à redução de 60% na receita de patrocínios. Essa diminuição afetou não apenas a estrutura do evento, mas também as ações sociais e culturais da APOLGBT-SP.
Apesar do corte no número de trios elétricos em comparação com anos anteriores (17 em 2023 e 19 em 2022), o público compareceu em grande número. A manifestação, iniciada às 10h, contou com a presença de artistas como Pabllo Vittar, Urias, Gloria Groove, e autoridades como a ministra dos Direitos Humanos e da Cidadania, Janine Mello.
A ministra destacou a importância da presença do Ministério dos Direitos Humanos na maior Parada LGBT+ do mundo. "É uma alegria para a gente estar aqui. E neste ano o Ministério está com uma campanha, O Brasil é de Todas as Cores: Para Todas as Pessoas, e para a gente é importante lembrar e ressaltar junto à população brasileira sobre a necessidade da garantia dos direitos da população LGBT", disse à Agência Brasil.
Mello mencionou as diversas políticas voltadas para a população LGBTQIA+, incluindo empoderamento, inclusão produtiva e acolhimento. "Enviamos recentemente ao Congresso Nacional a Política Nacional de Direitos LGBT, que vai pegar diferentes dimensões, inclusive sobre o enfrentamento da violência contra pessoas LGBTQIA+", completou.
Symmy Larrat, secretária Nacional dos Direitos das Pessoas LGBTQIA+, anunciou um acordo técnico entre o Ministério da Justiça e o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) para a produção de dados governamentais sobre violência contra a população LGBT+. "E, a partir daí, vamos construir protocolos mais institucionais que ajudem em todo o processo, desde o acolhimento da denúncia, até a investigação e o sistema de justiça", explicou.
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