A Parada do Orgulho LGBT+ de São Paulo, em sua 30ª edição, marcou a Avenida Paulista com a presença de uma imensa urna simbólica, batizada de Votinho, para conscientizar sobre a crucial importância do voto. O evento, que tem como tema '30 Anos Parada SP: A rua convoca, a urna confirma', transformou o icônico ponto da capital paulista em um palco para a defesa da participação política da comunidade.

Para sublinhar o debate sobre cidadania, os participantes da Parada exibiram não apenas as vibrantes cores do arco-íris, emblema do movimento, mas também os tons da bandeira brasileira. Alguns foram além, vestindo-se como presidente da República, uma clara manifestação da relevância do voto para as conquistas da comunidade LGBT+.

Entre os ativistas, o assistente jurídico Wesley Araújo, de 29 anos, chamou a atenção. Com terno e a faixa presidencial, ele declarou à Agência Brasil que sua vestimenta, nas cores nacionais, simbolizava a aspiração da comunidade: “representar que nós também podemos chegar lá, na presidência”.

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Araújo enfatizou a necessidade de uma escolha consciente em todos os níveis: “Temos que pensar não só no presidente, mas em quem estamos elegendo para deputado ou vereadores porque o presidente sozinho não faz nada. A gente precisa pensar nisso tudo”.

Ele também ressaltou a importância da presença nas ruas: “Estamos na rua para mostrar que nós existimos e resistimos também. A visibilidade é importante para mostrar que não estamos escondidos”.

Outro destaque foi Maurício José de Santana, 61 anos, cuidador de idosos, que compareceu à Avenida Paulista empunhando a bandeira nacional e vestindo o uniforme da seleção brasileira de futebol.

Santana explicou sua escolha: “Estou aqui hoje para dar visibilidade e para o pessoal ver a importância que é uma militância LGBTQIA+. Vim assim para mostrar que o pessoal LGBT+ gosta de futebol, que amamos o Neymar e amamos a seleção brasileira”.

Apesar do clima festivo, Santana expressou sua preocupação com o cenário político futuro. “Essa Parada pode ser a última da nossa vida, dependendo do que vamos encontrar na eleição que está por vir”, alertou.

Ele fez um apelo por engajamento e consciência: “É preciso dar resistência e consciência para as pessoas para mostrar que não podemos perder essa luta e essa batalha. Foram 30 anos só de parada e essa é uma conquista imensa”.

Santana finalizou com um forte chamado: “Votem conscientes porque o voto LGBTQIA+ é muito importante porque podemos não ter mais a Parada ou não sermos mais respeitados e termos garantidos os nossos direitos”.

A força da diversidade e da representatividade

A Parada do Orgulho LGBT+ inundou as ruas com uma explosão de cores, vibração, fantasias elaboradas e o característico movimento de leques. Mesmo antes do início dos shows nos trios elétricos, o público já celebrava, aproveitando para registrar momentos com as diversas drag queens que desfilavam pela Avenida Paulista.

Entre as figuras que atraíram a atenção, a DragZonna foi uma das mais requisitadas para fotos. Ela destacou a relevância do evento: “A Parada é uma representação importante. Queremos mostrar nossa resistência e nossa força criativa para esse mundo porque só queremos alegria e colorido”.

DragZonna também expressou a vulnerabilidade da comunidade: “Nosso movimento e nossa existência sempre estão ameaçados e podemos ser pegos de surpresa a qualquer momento para perder nossos direitos. Sempre estão à espreita e precisamos nos juntar para escolhermos boas pessoas que nos representem bem nesse Congresso e nesse governo”.

A cachorra Mel Radical, adornada com óculos, roupa colorida e asas, também foi um sucesso entre os fotógrafos. Sua tutora, a recepcionista Rafaela Fernandes, de 33 anos, afirmou que Mel é uma presença constante na Parada do Orgulho LGBT+ de São Paulo desde 2019.

Rafaela explicou o simbolismo: “Ela vem na Parada desde 2019 porque ela representa amor e toda essa vibração de respeito, independente de sexo ou religião”. Ela, por sua vez, participa para “demonstrar meu respeito por toda essa comunidade LGBTQIA+. Amo as drags, amo os gays. E estas são as pessoas que mais me respeitam mesmo eu não sendo dessa comunidade”.

Reforçando o tema do evento, Rafaela também enfatizou a importância do voto consciente: “Por isso temos que votar com muita consciência e segurança e pensar nisso muito bem porque essas pessoas podem ser muito prejudicadas dependendo em quem a gente votar”.

A edição deste ano da Parada do Orgulho LGBT+ de São Paulo contou com a participação de 14 trios elétricos, animando o público com performances de artistas renomados como Pabllo Vittar, Urias, Gloria Groove, Pepita, Diego Martins, Jup do Bairro, Melody, MC Soffia, Isma, Katy da Voz e As Abusadas, MC Trans, Zumbicore e Thiago Pantaleão. A ministra dos Direitos Humanos e da Cidadania, Janine Mello, também marcou presença. O percurso iniciou na Avenida Paulista e se estendeu em caminhada até a Praça da República.

FONTE/CRÉDITOS: WGLEYSSON DE SOUZA – Jornalista REG. PROF. FENAJ - 4407/PB | API/PB 3072