Exatamente um ano após ser vítima de um tiroteio durante uma festa de pagode no bairro do Altiplano, em João Pessoa, Juliana Batista ainda clama por justiça diante das marcas físicas e emocionais deixadas pelo ataque. Em 12 de outubro do ano passado, uma confusão no evento resultou em disparos que atingiram Juliana no tórax, levando-a a cirurgias complexas e a um longo processo de recuperação que segue sem um desfecho jurídico.

“Não foi apenas o erro de um indivíduo. Houve uma falha na organização do evento e situações que poderiam ter sido evitadas. O que eu espero é que a justiça seja feita e que esse tipo de episódio não se repita”, desabafou Juliana em entrevista à TV Cabo Branco. Ela relata que a noite, planejada para ser de lazer com amigos, transformou-se em tragédia em poucos segundos.

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Falhas na contenção e socorro imediato

De acordo com o relato da vítima, a briga que antecedeu os disparos ocorreu próxima ao palco e não contou com uma intervenção eficaz da equipe de segurança. Juliana recorda que, assim que os envolvidos na confusão se levantaram, os tiros começaram, sendo ela atingida logo na sequência.

Além da violência do ataque, a sobrevivente questiona o suporte oferecido após o crime. Ela afirma que não recebeu auxílio imediato da organização e que a ambulância disponível no local estava trancada no momento da emergência, dificultando os primeiros socorros antes de sua remoção hospitalar.

Encaminhada ao Hospital de Emergência e Trauma de João Pessoa, Juliana apresentou o quadro mais grave entre os três feridos na ocasião. Os exames apontaram perfurações no pulmão e no fígado, tornando necessária uma laparotomia, procedimento cirúrgico de grande porte para tratar lesões internas severas.

Impactos na vida pessoal e profissional

Antes de entrar na sala de cirurgia, a gravidade do estado de saúde fez com que Juliana acreditasse que não sobreviveria, chegando a repassar senhas e contas para uma amiga. O despertar após o procedimento foi o início de uma nova etapa marcada por sequelas psicológicas e físicas.

Atualmente, ela faz uso contínuo de medicação controlada e lida com o prejuízo profissional de ter perdido uma oportunidade de emprego enquanto estava hospitalizada. O trauma foi agravado pelo assassinato de seu irmão, que sofria de esquizofrenia, ocorrido apenas um mês após o atentado na festa.

Investigação aguarda perícia técnica

A Polícia Civil informou que a conclusão do inquérito depende fundamentalmente de um laudo de perícia de confronto balístico. Segundo a delegada do caso, a ausência desse documento impede a finalização das investigações e a identificação formal ou prisão de suspeitos.

A organização do evento reiterou, em nota, que colabora com as autoridades desde o início, fornecendo imagens e informações. Na época do crime, testemunhas indicaram que o autor dos disparos seria um policial à paisana, porém, essa informação ainda não foi confirmada oficialmente pelas forças de segurança.

FONTE/CRÉDITOS: WGLEYSSON DE SOUZA – Jornalista REG. PROF. FENAJ - 4407/PB | API/PB 3072