Nesta terça-feira, 19 de março, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) aprovou a destinação de até R$ 5,5 bilhões para proporcionar descontos na conta de luz de milhões de consumidores. A medida beneficiará clientes de 22 distribuidoras de energia elétrica, localizadas nas regiões Norte e Nordeste, Mato Grosso, e partes de Minas Gerais e Espírito Santo, visando aliviar o custo da energia.

O principal objetivo da Aneel é mitigar o impacto das tarifas em áreas com elevados custos de geração e distribuição, particularmente aquelas regiões isoladas que dependem de usinas a diesel, cujos gastos operacionais são consideravelmente maiores.

A projeção indica um desconto médio nas tarifas de até 4,51%. Contudo, o percentual exato será definido com base na arrecadação total dos recursos e nos reajustes tarifários específicos de cada distribuidora que ocorrerem ao longo de 2026.

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De onde vêm os recursos

Os fundos que permitirão essa redução provêm do encargo de Uso de Bem Público (UBP), uma quantia paga pelas usinas hidrelétricas à União pela utilização dos recursos hídricos para a geração de energia elétrica.

Embora as geradoras sejam as responsáveis por esse pagamento, na prática, esse custo é incorporado às tarifas cobradas pelas distribuidoras e, consequentemente, repassado aos consumidores finais.

Até o começo deste ano, o pagamento do UBP era efetuado de maneira parcelada pelas hidrelétricas, integrado à Conta de Desenvolvimento Energético (CDE), um fundo essencial para o financiamento das políticas do setor elétrico.

Uma legislação recente autorizou as hidrelétricas a antecipar essas parcelas futuras com um desconto de 50%. Em contrapartida, os valores arrecadados serão direcionados à diminuição das tarifas de energia nas regiões abrangidas pela Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia (Sudam) e pela Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene).

Como funcionará a distribuição

A Aneel estabeleceu a metodologia para a distribuição desses recursos entre as distribuidoras que serão beneficiadas pela medida.

O critério adotado visa assegurar um equilíbrio nos efeitos dos descontos entre as concessionárias, considerando a dimensão de cada mercado e os custos específicos de energia em cada área.

Embora a estimativa inicial do governo apontasse para uma arrecadação de até R$ 7,9 bilhões com a antecipação do UBP, nem todas as geradoras aderiram. Das 34 empresas elegíveis, 24 aceitaram antecipar os pagamentos, resultando em uma previsão final de aproximadamente R$ 5,5 bilhões.

O cronograma prevê que o pagamento pelas hidrelétricas ocorra em julho. Posteriormente, a Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) comunicará à Aneel o montante exato arrecadado.

Somente após essa confirmação, a agência poderá determinar os percentuais preliminares de desconto a serem aplicados nas contas de luz.

Percentuais previstos de desconto

A Aneel considera, atualmente, três cenários distintos para o desconto médio nas tarifas:

  • Se a arrecadação for de R$ 4,5 bilhões: redução média de 5,81%;
  • Se a arrecadação for de R$ 5 bilhões: redução média de 5,16%;
  • Se a arrecadação for de R$ 5,5 bilhões: redução média de 4,51%.

Conforme a agência, o percentual final aplicado a cada distribuidora estará intrinsecamente ligado aos respectivos processos de reajuste tarifário que ocorrerão ao longo do próximo ano.

Quem será beneficiado pela medida

A iniciativa abrangerá consumidores atendidos por distribuidoras situadas em:

  • Regiões Norte e Nordeste;
  • Mato Grosso;
  • Partes de Minas Gerais;
  • Partes do Espírito Santo.

Esta política é direcionada aos consumidores “cativos”, aqueles que adquirem energia diretamente das distribuidoras e não fazem parte do mercado livre de energia.

Desconto antecipado em algumas distribuidoras

Algumas distribuidoras já iniciaram a utilização de parte desses recursos, mesmo antes da arrecadação final. Concessionárias como a Neoenergia na Bahia e a Equatorial no Amapá solicitaram a antecipação dos valores durante seus processos tarifários.

A Amazonas Energia, por exemplo, recebeu R$ 735 milhões provenientes dessa repactuação. A Aneel informou que o reajuste médio aprovado para os consumidores dessa distribuidora foi de 6,58%, mas sem o aporte financeiro, o aumento teria atingido 23,15%.

Outras empresas, como Enel Ceará, Roraima Energia, Energisa Rondônia e Energisa Acre, ainda aguardam a liberação dos recursos para implementar os novos descontos nas tarifas.

Objetivo central da medida

A Aneel reitera que esta política visa reduzir o impacto da conta de luz em regiões que enfrentam custos operacionais mais elevados e uma base de consumidores menor em comparação com outras áreas do Brasil.

Tais localidades frequentemente dependem de geração térmica e de sistemas isolados, fatores que elevam significativamente os custos de produção e distribuição de energia elétrica.

De acordo com a agência, os efeitos desses descontos serão progressivamente incorporados aos reajustes e revisões tarifárias das distribuidoras ao longo do ano de 2026.

FONTE/CRÉDITOS: WGLEYSSON DE SOUZA – Jornalista REG. PROF. FENAJ - 4407/PB | API/PB 3072