Espaço para comunicar erros nesta postagem
A Câmara dos Deputados aprovou, em Brasília, o projeto de lei 4133/23, que reformula os critérios de proteção à indústria nacional ao ampliar as vantagens competitivas de empresas brasileiras em licitações públicas. O texto, que agora segue para o Senado, visa fortalecer o mercado interno e fomentar o desenvolvimento tecnológico através de novos parâmetros de contratação estatal.
Relatado pelo deputado Rodrigo Rollemberg (PSB-DF), o substitutivo aprovado determina que cada nova gestão do Executivo Federal defina, logo em seu primeiro ano, metas claras para as políticas industrial, tecnológica e de comércio exterior. A proposta é de autoria do deputado Heitor Schuch (PSD-RS) e outros parlamentares.
Novas margens de preferência
Uma das mudanças centrais ocorre no critério de desempate em certames públicos. Atualmente, produtos nacionais podem custar até 10% a mais que os estrangeiros e ainda vencer a disputa. Com a nova legislação, essa margem de preferência sobe para 20%.
Para bens e serviços que comprovem inovação tecnológica ou atendam a critérios de sustentabilidade, a vantagem competitiva é ainda mais expressiva. Nesses casos, o limite de diferença de preço saltará dos atuais 20% para 30%, valorizando a produção nacional de alto valor agregado.
Exclusividade em setores estratégicos
O projeto também abre caminho para que editais de licitação prevejam a participação exclusiva de empresas brasileiras de capital nacional. Essa reserva de mercado poderá ser aplicada em áreas vitais para a segurança nacional, ordem pública e desenvolvimento de setores estratégicos da economia.
Essas novas regras de conteúdo nacional serão integradas às normas que regem as concessões públicas (Lei 8.987/95) e as parcerias público-privadas (Lei 11.079/04).
Debate e monitoramento
Segundo o relator Rodrigo Rollemberg, o Congresso Nacional terá um papel ativo no acompanhamento dessas políticas. Ele enfatizou que o progresso do setor deve estar atrelado à inovação e à transição para uma economia verde, garantindo elos sustentáveis na produção nacional.
O autor da proposta, Heitor Schuch, destacou que o incentivo estatal é um motor histórico para o crescimento industrial, citando o exemplo do Rio Grande do Sul. Por outro lado, o deputado Paulo Lemos (PT-AP) viu a medida como uma defesa necessária contra sobretaxas internacionais, como as aplicadas pelos EUA.
Divergências no plenário
Apesar da aprovação, o texto enfrentou resistência de alas liberais. O líder do Novo, Gilson Marques (Novo-SC), criticou o aumento da intervenção estatal. Já o deputado Kim Kataguiri (Missão-SP) comparou a proposta ao que chamou de fracasso da Lei da Informática.
Para Kataguiri, incentivos anteriores não resultaram em ganhos reais de produtividade, geração de empregos ou crescimento do PIB. O debate sobre a eficácia das medidas de proteção deve continuar durante a tramitação na câmara alta.
Saiba mais sobre a tramitação de projetos de lei
/Dê sua opinião
Qual o seu nível de satisfação em relação ao serviço público prestado?
Para participar desta enquete, realize o login em sua conta!
Login Cadastre-seNossas notícias
no celular

PORTAL SERTÃO DA PARAÍBA