A taxa de desemprego entre a população preta atingiu 7,6% no primeiro trimestre de 2026, superando a média nacional de 6,1% e demonstrando uma disparidade de 55% em relação à taxa de 4,9% registrada entre pessoas brancas. Este dado, divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) através da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua Trimestral, revela uma persistente desigualdade no mercado de trabalho brasileiro.

A diferença percentual observada é mais acentuada que no trimestre anterior (52,5% maior) e no mesmo período do ano anterior (50%). O ápice dessa disparidade foi registrado no segundo trimestre de 2020, auge da pandemia de covid-19, com uma diferença de 69,8%.

Desde o início da série histórica da Pnad, em 2012, a taxa de desemprego de pretos era 44,8% maior que a de brancos. A menor variação ocorreu no segundo trimestre de 2021, com uma diferença de 43,6%.

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Desigualdade para pardos

A análise por cor também aponta desvantagem para a população parda, cujo desemprego se situa em 6,8%. Isso representa uma taxa 38,8% superior à de brancos.

No início da série histórica, essa diferença era de 37,3%, atingindo o menor patamar de 33,3% no segundo trimestre do ano passado. No trimestre imediatamente anterior, o desemprego pardo era 47,5% maior que o dos brancos.

Análise dos Fatores

William Kratochwill, analista responsável pela pesquisa, atribui essa disparidade a fatores estruturais, que vão além da cor da pele.

Ele sugere que o nível de instrução e a região de residência podem influenciar significativamente essas diferenças.

Kratochwill ressalta a necessidade de estudos mais aprofundados, que considerem múltiplas variáveis além da autodeclaração racial, para uma compreensão completa das causas dessa desigualdade.

Informalidade e Vulnerabilidade

A Pnad Contínua Trimestral também destaca a maior vulnerabilidade de pretos e pardos no mercado de trabalho informal em comparação com brancos.

O IBGE define trabalhadores informais como aqueles sem carteira assinada, autônomos e empregadores sem Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ).

A taxa de informalidade nacional ficou em 37,3%, refletindo a proporção de trabalhadores sem direitos trabalhistas como seguro-desemprego e férias remuneradas.

Para brancos, a informalidade foi de 32,2%; para pardos, 41,6%; e para pretos, 40,8%.

Autodeclaração e Composição Populacional

O critério de autodeclaração é utilizado pela Pnad para a identificação racial. No primeiro trimestre de 2026, a população parda representava a maioria (45,4%) entre os indivíduos com 14 anos ou mais, seguida por brancos (42,5%) e pretos (11,1%).

As minorias amarela (origem asiática) e indígena não foram detalhadas nesta divulgação trimestral.

Diferenças de Gênero no Desemprego

A pesquisa também aponta que a taxa de desemprego entre mulheres é 43,1% maior que a dos homens. No período analisado, o índice para elas foi de 7,3%, contra 5,1% para eles, abaixo da média nacional.

Desde o início da série histórica, a diferença média foi de 69,4% a favor dos homens. A menor disparidade ocorreu no segundo trimestre de 2020, com 27%.

No quesito informalidade, contudo, os homens (38,9%) apresentam uma taxa superior à das mulheres (35,3%).

Desemprego por Faixa Etária

O IBGE também analisou as taxas de desocupação por faixas etárias. O grupo de 14 a 17 anos registrou a maior taxa, 25,1%.

William Kratochwill explica que jovens nessa faixa etária tendem a aceitar trabalhos temporários e com menor estabilidade para iniciar suas carreiras e construir um currículo.

Por outro lado, indivíduos com 60 anos ou mais apresentaram o menor índice de desemprego, com 2,5%, indicando uma saída gradual do mercado de trabalho.

FONTE/CRÉDITOS: WGLEYSSON DE SOUZA – Jornalista REG. PROF. FENAJ - 4407/PB | API/PB 3072