O comício realizado em 12 de setembro, na Zona Norte de Cajazeiras, foi apresentado como uma demonstração de unidade das diferentes forças políticas que apoiam a candidatura à reeleição do governador Lucas Ribeiro.

No mesmo palanque estavam os três principais candidatos a deputado ligados ao grupo na cidade: Júnior Araújo, Zé Aldemir e Nil Mendes. A composição transmitia uma mensagem planejada de convivência política e força eleitoral.

Mas a fotografia da unidade não encontrou a mesma harmonia na hora dos discursos.

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Depois do episódio envolvendo o microfone de Zé Aldemir, que deixou de funcionar durante sua fala, outro fato chamou atenção nos bastidores: o deputado estadual e candidato à reeleição Júnior Araújo não discursou.

Segundo relatos encaminhados à coluna, Júnior teria sido retirado da relação de oradores do evento. A informação sobre um corte deliberado, entretanto, ainda não foi confirmada publicamente pela organização do comício, pela coordenação da campanha ou pelo próprio parlamentar.

O fato observável é que Júnior estava no palanque, mas seus eleitores não ouviram a sua voz.

Ausência que gerou incômodo

Apoiadores do deputado teriam deixado o evento magoados e sem compreender por que ele não recebeu espaço para falar. A insatisfação possui uma explicação simples: Júnior não era apenas mais uma liderança presente.

Ele é deputado estadual, candidato à reeleição, aliado de Lucas Ribeiro e um dos principais representantes políticos de Cajazeiras dentro da Assembleia Legislativa da Paraíba.

Também vinha cumprindo uma intensa agenda eleitoral no município, reunindo lideranças, visitando comunidades e mobilizando sua base. Diante desse contexto, sua ausência entre os oradores dificilmente passaria despercebida.

Num palanque construído para demonstrar que todas as correntes estavam representadas, deixar um deputado aliado sem voz produziu exatamente a imagem contrária.

Até agora, não se sabe quem elaborou a lista de discursos, quais critérios foram utilizados nem se a ausência aconteceu por decisão política, limitação de tempo, desencontro da organização ou escolha do próprio parlamentar.

Sem essas respostas, cada grupo cria sua própria explicação — e é justamente nesse espaço vazio que crescem as especulações.

Corte ou problema de organização?

É preciso responsabilidade: não há elementos suficientes para afirmar que Júnior Araújo foi deliberadamente censurado ou excluído por adversários internos. Essa conclusão dependeria de confirmação, documento, manifestação do deputado ou esclarecimento da coordenação do evento.

Mas também não é razoável tratar o episódio como algo irrelevante.

Num evento eleitoral com discursos previamente organizados, a definição de quem fala e de quem permanece calado nunca é completamente neutra. O tempo de microfone representa prestígio, capacidade de mobilização e espaço dentro do projeto político.

Se houve apenas uma falha de organização, cabe explicar. Se o deputado decidiu não discursar, também é importante esclarecer. Se seu nome realmente foi retirado da lista, a pergunta é inevitável: por quem e por qual motivo?

Unidade no discurso, disputa nos bastidores

A base de Lucas Ribeiro em Cajazeiras abriga lideranças com projetos eleitorais próprios e interesses que nem sempre caminham na mesma direção.

Júnior Araújo, Zé Aldemir e Nil Mendes apoiam o mesmo candidato ao governo, mas disputam espaço, apoios e votos. Uma estrutura ampla pode fortalecer Lucas, porém também exige equilíbrio para que nenhuma corrente se considere diminuída.

No mesmo evento, Zé precisou aguardar a substituição de um microfone que não funcionava. Júnior, segundo relatos, nem sequer teria recebido o momento de fala esperado por sua militância.

Separadamente, os dois episódios podem ser explicados como problemas técnicos ou organizacionais. Juntos, porém, deixam uma impressão ruim sobre um comício idealizado para celebrar união.

Apoiadores não comparecem apenas para enxergar seus candidatos ao fundo do palanque. Querem ouvi-los, aplaudi-los e perceber que possuem espaço real dentro do grupo.

Quando isso não acontece, a frustração não fica restrita ao candidato. Chega diretamente à militância, que trabalha, mobiliza, veste a camisa e espera reconhecimento político.

Quem organizou precisa explicar

A forma mais simples de encerrar qualquer especulação é a transparência.

A coordenação do comício pode esclarecer se existia uma lista oficial de oradores, se Júnior Araújo estava incluído inicialmente, por que ele não falou e se houve alguma mudança durante o evento.

O próprio deputado também pode dizer se esperava discursar, se foi informado previamente sobre a programação e como recebeu a decisão.

Enquanto ninguém explica, permanece uma pergunta bastante incômoda: por que um deputado estadual, candidato à reeleição e aliado do governador participou do principal comício da campanha em sua própria cidade, mas não teve espaço para falar?

No palanque, todos apareceram na fotografia. No microfone, aparentemente, nem todos tiveram o mesmo tratamento.

E na política, às vezes, quem não fala acaba dizendo muito.

Instagram oficial:
@wgleyssondesouza

FONTE/CRÉDITOS: WGLEYSSON DE SOUZA – Jornalista. REG. PROF. FENAJ 4407/PB | API/PB 3072