Em política, os discursos ocupam o palanque, mas são os pequenos gestos que muitas vezes revelam as mudanças mais importantes.

Durante o comício governista realizado em 12 de setembro, na Zona Norte de Cajazeiras, uma cena aparentemente simples despertou surpresa e abriu espaço para comentários sobre uma possível trégua política.

A deputada estadual Dra. Paula estava no palanque quando a professora Gerlane Moura, posicionada na parte de baixo da estrutura, estendeu-lhe a mão.

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Paula teria ficado verdadeiramente surpresa com a iniciativa.

Segundo relato atribuído à deputada em conversa com amigos mais próximos, ela jamais negaria o gesto de consideração e, diante da mão estendida por Gerlane, respondeu oferecendo as duas.

“Jamais negaria este apreço e lhe estendi as duas mãos”, teria afirmado.

A deputada ainda teria acrescentado uma frase de forte significado diante do ambiente político de Cajazeiras: “Não é tempo de ódio, de perseguição, de rancor”.

Paz à vista?

Não há, até o momento, uma declaração pública conjunta que permita anunciar uma reconciliação política definitiva. Também não se sabe se o gesto produzirá aproximações concretas ou se permanecerá apenas como uma demonstração de educação e respeito pessoal.

Mas, numa política marcada por rompimentos, ressentimentos e disputas prolongadas, até um aperto de mãos pode adquirir peso de acontecimento.

Quando duas mãos se encontram depois de um período de distanciamento, o gesto pode não encerrar o passado, mas abre uma porta que antes parecia fechada.

A reação atribuída a Dra. Paula reforça essa leitura. Ao responder com as duas mãos, a parlamentar não teria apenas retribuído uma formalidade. Teria demonstrado disposição para não alimentar conflitos antigos e para receber qualquer iniciativa de pacificação.

A frase sobre o fim do ódio, da perseguição e do rancor também ultrapassa a relação entre as duas. É um recado que poderia ser direcionado a boa parte da política cajazeirense.

O “milagre de São Lucas”

Um aliado de Dra. Paula, ao saber do episódio, teria resumido a cena com bom humor: “É um milagre de São Lucas”.

A expressão mistura religiosidade com ironia política. O “São Lucas”, nesse caso, seria o governador Lucas Ribeiro, cuja campanha conseguiu reunir no mesmo palanque lideranças e grupos que possuem divergências locais.

Lucas vem tentando construir uma composição ampla em Cajazeiras. Para isso, precisa administrar interesses diferentes, vaidades, feridas políticas e candidaturas que disputam os mesmos espaços eleitorais.

O comício da Zona Norte foi uma demonstração pública dessa tentativa. No palco estavam lideranças que nem sempre caminharam juntas. Embaixo dele, o aperto de mãos entre Gerlane Moura e Dra. Paula acrescentou mais um capítulo à fotografia da unidade.

Se foi milagre, estratégia, civilidade ou apenas educação, somente o tempo mostrará.

Respeito não exige aliança

É importante destacar que um gesto de cordialidade não obriga ninguém a abandonar suas convicções, trocar de grupo ou apagar divergências.

Adversários políticos podem continuar defendendo projetos diferentes sem transformar a disputa em hostilidade pessoal. A democracia não exige amizade entre todos, mas cobra respeito mínimo entre aqueles que participam da vida pública.

Cajazeiras já perdeu tempo demais com perseguições, ressentimentos e conflitos que atravessam eleições e atingem relações pessoais, administrativas e familiares.

Se a iniciativa de Gerlane Moura e a resposta de Dra. Paula servirem apenas para reduzir essa temperatura, o gesto já terá cumprido um papel relevante.

Política não precisa ser uma guerra permanente.

Duas mãos e muitas interpretações

Nos bastidores, certamente haverá quem interprete o episódio como sinal de aproximação. Outros enxergarão apenas uma gentileza momentânea. Também existirão aqueles que tentarão transformar a cena em adesão, mudança de lado ou acordo eleitoral.

Ainda é cedo para qualquer conclusão dessa natureza.

O que se pode afirmar, com base no relato recebido, é que houve uma mão estendida e uma resposta com as duas mãos. Num ambiente político em que tantos preferem apontar o dedo, isso já representa alguma coisa.

Agora resta saber se a cordialidade sobreviverá ao calor da campanha e se poderá produzir diálogo depois que os votos forem contados.

Se depender da frase atribuída a Dra. Paula, existe pelo menos uma disposição inicial: não alimentar ódio, perseguição ou rancor.

Pode não ser ainda a paz definitiva.

Mas talvez seja a paz à vista.

Instagram oficial:
@wgleyssondesouza

FONTE/CRÉDITOS: WGLEYSSON DE SOUZA – Jornalista. REG. PROF. FENAJ 4407/PB | API/PB 3072