O grande comício realizado pelo grupo governista na Zona Norte de Cajazeiras foi uma verdadeira chuva de promessas. Diante de aliados, candidatos e militantes, o governador e candidato à reeleição Lucas Ribeiro apresentou um futuro tão bonito para a cidade que, se tudo sair do discurso e chegar ao chão, Cajazeiras estará a poucos passos de virar um paraíso.

O governador encerrou na cidade, na noite de 12 de setembro, a caravana eleitoral pelo Alto Sertão. No palanque também estavam os candidatos ao Senado João Azevêdo e Nabor Wanderley, além das principais lideranças do grupo político da situação.

Lucas destacou mais de R$ 1 bilhão em investimentos relacionados a Cajazeiras e anunciou novos compromissos nas áreas de saúde e infraestrutura. Entre as promessas que chamaram mais atenção está a despoluição do Açude Grande, acompanhada da implantação de um parque destinado à população.

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Pelo cenário desenhado no palanque, o entorno do reservatório finalmente deixará para trás décadas de esgoto, mau cheiro, abandono e promessas recicladas. O Açude Grande será transformado praticamente no “Jardim do Éden” cajazeirense.

Tomara.

Cajazeiras torce para que a promessa se transforme em realidade. A recuperação do Açude Grande é uma demanda histórica, ambientalmente urgente e urbanisticamente estratégica. Poucos projetos teriam capacidade semelhante de modificar a imagem da cidade e devolver à população uma área que deveria ser um dos seus principais cartões-postais.

Mas justamente por ser um projeto tão importante, não pode permanecer apenas no terreno encantado da campanha eleitoral.

Onde estão o projeto, o orçamento e o prazo?

Despoluir o Açude Grande não significa somente construir calçadas, instalar iluminação, plantar árvores e colocar bancos ao redor da água. A recuperação verdadeira exige enfrentar as fontes permanentes de poluição, identificar lançamentos de esgoto, melhorar a infraestrutura sanitária, realizar intervenções ambientais e garantir manutenção contínua.

Também será necessário esclarecer qual esfera administrativa executará cada etapa, quanto a obra custará, de onde virão os recursos, se existe projeto técnico concluído, quais licenciamentos serão exigidos e quando os serviços poderão efetivamente começar.

Sem essas respostas, o parque corre o risco de continuar existindo apenas na imaginação dos eleitores.

O problema não é prometer o paraíso; é desaparecer depois da eleição e deixar para a população apenas o mapa do Éden desenhado no palanque.

Campanhas eleitorais naturalmente apresentam propostas e compromissos. É legítimo que candidatos mostrem seus projetos e disputem a confiança da população. O que não pode ser normalizado é o anúncio grandioso sem os elementos mínimos que permitam acompanhar sua execução.

Hospital Regional também entrou no pacote

Na área da saúde, Lucas Ribeiro anunciou a futura inauguração da ampliação do Hospital Regional de Cajazeiras, a instalação do serviço de hemodinâmica e a expansão da UTI neonatal e da Unidade de Cuidados Intermediários.

São medidas importantes para Cajazeiras e para dezenas de municípios que dependem da estrutura hospitalar da cidade. A implantação da hemodinâmica, especialmente, pode evitar deslocamentos de pacientes cardíacos para centros mais distantes e reduzir o tempo de resposta em situações de urgência.

Nesse caso, porém, o acompanhamento público também será indispensável. É preciso saber quando a estrutura ficará pronta, quais equipamentos serão instalados, quantos profissionais serão contratados e em qual data o atendimento começará de verdade.

Inaugurar parede é simples. Garantir médicos, equipes especializadas, equipamentos funcionando e atendimento permanente é o desafio real.

O palanque acaba; a cobrança começa

O grupo governista apresentou um pacote capaz de despertar esperança. Seria irresponsável desconsiderar a relevância das propostas apenas porque foram anunciadas durante uma campanha. Do mesmo modo, seria ingenuidade tratá-las como obras garantidas somente porque foram pronunciadas diante de uma multidão.

Cajazeiras já ouviu promessas suficientes para saber que o aplauso do comício não substitui ordem de serviço. Faixa de campanha não substitui orçamento. Maquete não substitui projeto executivo. E discurso inflamado não despolui açude.

Lucas Ribeiro e seus aliados colocaram compromissos importantes sobre a mesa. Se forem cumpridos, terão o reconhecimento da cidade. Se ficarem pelo caminho, não poderão alegar esquecimento, porque as promessas foram feitas publicamente e em pleno período eleitoral.

Agora cabe à imprensa, à Câmara Municipal, às entidades representativas e à própria população registrar cada anúncio e acompanhar cada etapa.

O comício terminou, as luzes do palanque foram desligadas e os candidatos seguiram viagem. As promessas, no entanto, ficaram em Cajazeiras.

Resta saber se o “Jardim do Éden” começará a ser construído depois das urnas ou se desaparecerá quando o último voto for contado.

Instagram oficial:
@wgleyssondesouza

FONTE/CRÉDITOS: WGLEYSSON DE SOUZA – Jornalista. REG. PROF. FENAJ 4407/PB | API/PB 3072